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Coleta e Tratamento de Esgoto | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Coleta e Tratamento de Esgoto
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Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Ter, 02 de Fevereiro de 2010 01:14
Diego de Toledo Lima da Silva ¹ & Gustavo Duarte ²

RESUMO: Os investimentos em tratamento de esgotos nunca foram tão elevados no Brasil. A importância da coleta e do tratamento relaciona diversas áreas, como saneamento, saúde, recursos hídricos e meio ambiente. Este trabalho tem o objetivo de apresentar os métodos de tratamento de esgoto, os tipos de tratamento, os assuntos relacionados e a quantificação de dados, com foco no município de Joanópolis/SP.

1. INTRODUÇÃO

Os investimentos em tratamento de esgoto nunca foram tão elevados no Brasil. Em parte, isto se deve à pressão da sociedade civil e dos órgãos ambientais para a resolução do problema. A empresa responsável pela coleta e tratamento de esgoto no município de Joanópolis é a SABESP, ressaltando que o tratamento depende da coleta. O tratamento só ocorre com a parte do esgoto que é coletada, sendo dois parâmetros interligados.

A coleta e tratamento de esgotos são muito importantes para a saúde pública (por evitar diversas doenças) e para o meio ambiente (evita a poluição dos corpos hídricos, impacto este que afeta todo o ecossistema, além da disponibilidade de uso da água a jusante (à frente) do lançamento). Pesquisas indicam que para cada real investido em saneamento básico, principalmente na coleta e tratamento de esgotos, economizam-se quatro reais em atendimentos na rede de saúde.

Os investimentos em saneamento geram diversos benefícios como:

  • Econômico: redução de gastos com saúde e aumento da produtividade do trabalhador;- Social: diminuição da mortalidade infantil e aumento da expectativa de vida e melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano);
  • Ambiental: proteção e recuperação dos mananciais e despoluição dos corpos hídricos superficiais.
    O esgoto pode ser classificado em três tipos, devido suas características:
  • Esgoto sanitário ou doméstico - proveniente das residências e lares;
  • Esgoto pluvial - proveniente das águas de chuva (comentado num tópico mais à frente);
  • Esgoto industrial - proveniente das indústrias e das empresas potencialmente poluidoras. Este tipo de esgoto para ser lançado na rede coletora pública necessita de autorização da entidade responsável pelo saneamento básico do município e do órgão ambiental licenciador, sendo que, dependendo do tipo de atividade, do potencial poluidor e das características do efluente, necessitam de tratamento prévio na própria empresa antes de ser despejado na rede coletora de esgoto, com objetivo de cumprir o Regulamento da Lei Estadual nº 997/76 e a Resolução CONAMA nº 357/2005.
O tratamento de esgotos consiste na remoção de poluentes. O método utilizado é variável e depende das características físicas, químicas e biológicas do esgoto.

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Foto 1. - Despejo de esgoto sem tratamento diretamente num córrego em Limeira/SP. Esta prática gera diversos impactos ambientais, afetando diretamente o uso da água, o ecossistema aquático, a ecologia da paisagem do local, além de ser um vetor de doenças ao homem.

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Foto 2. - Córrego com despejo de esgoto sem tratamento. Devido este ser um problema crônico no Brasil, há diversas pesquisas e estudos para a utilização da água cinza (esta água do corpo hídrico misturada com esgoto bruto) de algum modo, para que possa prover a sustentabilidade de locais onde a degradação e poluição ambiental diminuem drasticamente a disponibilidade de água em boas condições para uso.

2. COLETA DE ESGOTOS

A coleta de esgoto é realizada por um sistema de canalização sanitária ou rede coletora. Nos imóveis existem ligações com diâmetro pequeno que formam as redes coletoras. Tais redes são conectadas aos coletores-tronco (tubulações instaladas ao lado dos corpos hídricos menores (córregos)) e que recebem os diversos esgotos provenientes da rede coletora.

Dos coletores-tronco os esgotos vão para os interceptores, que são tubulações maiores, enterradas ao lado dos corpos hídricos maiores (rios). Daí o destino final do esgoto é o lançamento direto nos corpos hídricos (nos locais onde não há sistema de tratamento) ou envio para a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), onde o esgoto passa por tratamento antes de ser despejado num corpo hídrico receptor.

No caso de Joanópolis, na parte baixa do Rio Jacareí, o esgoto é bombeado por uma Estação Elevatória para a ETE, devido à diferença da cota altimétrica do local.

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Foto 3. - Estação Elevatória de Esgoto do município de Joanópolis.

3. ÁGUAS PLUVIAIS

Em alguns locais há a coleta das águas pluviais para tratamento prévio antes de ser despejado nos corpos hídricos superficiais. Mas, na maioria dos municípios, as águas pluviais são depositadas diretamente nos corpos hídricos, devido ao custo para coleta e tratamento dessas águas, sendo que as instalações de tratamento teriam que possuir capacidades bem maiores, devido ao volume que chegaria às mesmas se fosse tratado as águas pluviais.

As águas de chuva que escoam superficialmente nas ruas e nas superfícies pavimentadas não são consideradas altamente poluídas ou contaminadas, sendo coletadas separadamente, através da rede de drenagem, e depositadas diretamente nos corpos hídricos, como em Joanópolis.

Lembrando que, as águas de chuva lavam a atmosfera carregando gases dissolvidos como o CO2 (Dióxido de carbono), o CO (Monóxido de carbono) e o N (Nitrogênio), e quando atingem a superfície, lavam a mesma, carregando poeira, terra, areia, lixo, óleos, graxas e tintas, que se encontram dispostos ou depositados na superfície, sendo carregado aos corpos hídricos, escoamento este também caracterizado de poluição difusa ou dispersa.

4. VOLUME COLETADO E TRATADO

O potencial de tratamento de esgotos está diretamente ligado ao número e à categoria da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). A definição de ETE é a unidade operacional do sistema de esgotamento sanitário que através de processos físicos, químicos e/ou biológicos, remove as cargas poluentes do esgoto, devolvendo ao ambiente o produto final, efluente tratado, em conformidade com os padrões exigidos pela Legislação Ambiental. (PLANO DE BACIAS 2008-2011)

Joanópolis possui uma ETE, tendo uma eficiência do tratamento de aproximadamente 78 %.

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Fonte: PLANO DE BACIAS 2008-2011

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Foto 4. - Localização da ETE de Joanópolis. Foto tirada da Rodovia José Augusto Freire (Pista Joanópolis-Piracaia).

A poluição das águas superficiais pode ser definida como o lançamento de qualquer matéria que venha a alterar as propriedades do corpo receptor, afetando ou podendo afetar, a saúde ambiental das espécies animais e vegetais que dependem ou tenham contato com este meio. A poluição origina-se de diversas fontes, podendo ser:

  • pontuais ou fixas: relacionadas a um ponto fixo de lançamento de esgoto, efluentes industriais, etc.
  • difusas ou dispersas: não relacionadas a um ponto fixo, como no caso do deflúvio ou escoamento superficial (águas da chuva que não infiltram e correm livres pelo terreno até alcançar um corpo hídrico), das áreas agrícolas (associadas ao uso e ocupação do solo), fossas, sumidouros, etc.

Algumas considerações sobre os dados constantes na tabela e os cálculos utilizados são importantes. A Carga Orgânica Potencial é a quantidade de matéria orgânica gerada por dia. É um índice calculado através da geração de carga orgânica por habitante, sendo de 54 g/hab.dia ou 0,054 kg/hab.dia. (PLANO DE BACIAS 2008-2011)

Carga Orgânica Removida é a quantidade removida nos sistemas de tratamento, considerando a eficiência do tratamento. Carga Orgânica Remanescente é aquela efetivamente lançada após o tratamento. Carga Orgânica Despejada in natura é todo o esgoto coletado, mas que não é tratado, ou seja, despejados diretamente no corpo hídrico.

Também foram calculados os esgotos que não chegam a serem coletados, dispondo, na maioria das vezes, de tratamentos individuais como fossas sépticas biodigestoras, fossas negras, sumidouros e outros, sendo fontes dispersas de lançamentos, podendo primeiramente atingir pequenos corpos da água ou infiltrar no solo, antes de atingir os corpos da água principais (no caso de Joanópolis, esta Carga Orgânica Dispersa é dividida em duas bacias hidrográficas, a do rio Jacareí e a do Rio Cachoeira).

As informações e os cálculos utilizados pelo Projeto estão descritos na tabela abaixo:
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Os números demonstram que a maior parte da Carga Orgânica que chega aos corpos hídricos diariamente é proveniente de fontes dispersas, ou seja, da população sem rede coletora de esgoto, que trata o esgoto em fossas sépticas, fossas negras, sumidouros e outros tipos de disposição

Em números gerais, Joanópolis despeja 91,94 Kg de Carga Orgânica diariamente de fontes pontuais no Rio Jacareí, proveniente do esgoto coletado, parte despejada in natura e parte remanescente do tratamento. Quanto à poluição dispersa, ela é dividida em duas bacias hidrográficas, a do Rio Jacareí e a do Rio Cachoeira, pois abrange a zona rural do município e alguns loteamentos irregulares ou clandestinos.

Lembrando que Joanópolis, por meio de Lei Municipal, tornou todo seu território Área de Expansão Urbana, por isso a população é toda considerada urbana, mesmo a que efetivamente reside na zona rural.

5. TRATAMENTO DO ESGOTO

O esgoto tem como componentes principais a água e a matéria orgânica de origem biológica. Esta última ocorre na forma de partículas em suspensão e dissolvidas. Este esgoto quando levado a tratamento (pois muitos municípios brasileiros ainda despejam o esgoto sem nenhum tipo de tratamento, diretamente nos corpos hídricos, poluindo e causando diversos impactos ambientais) passam por diferentes fases de tratamento, podendo ser divididos em:

  • Tratamento Preliminar (mecânico e físico): destina-se à remoção de sólidos grosseiros e areia. Os mecanismos de remoção são peneiramento e sedimentação. É realizada frequentemente por meio de grades, onde o material de dimensões maiores do que os espaçamentos da barra ficam retidos, processo este chamado de gradeamento. A remoção de areia é feita através de desaneradores. O mecanismo é a sedimentação. As finalidades básicas deste processo são:
    • proteção dos dispositivos de transporte de esgoto (bombas e tubulações) e das unidades de tratamento subseqüentes;
    • proteção dos corpos hídricos superficiais;
    • facilitar o transporte líquido, principalmente a transferência de lodo, em suas diversas fases.

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Foto 5. - Sistema de Gradeamento.

  • Tratamento Primário (físico): fase em que são removidas as partículas maiores, que permite o fluxo lento ao longo de uma lagoa. No fundo da lagoa (os tanques de decantação podem ser circulares ou retangulares), por meio do processo de decantação, forma-se um lodo, e na parte superior, forma-se uma camada superficial constituída de um líquido oleoso (gorduras, ceras, óleos e produtos da reação do sabão presente no esgoto coletado com Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg)), menos denso que a água, que é retirado na superfície.
    Em torno de 30% da Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) da água residual é removida neste processo.
  • Tratamento Secundário (biológico): após a passagem do esgoto bruto no tratamento primário, a água residual torna-se muito mais clarificada, mas ainda apresenta uma DBO muito alta, que é altamente prejudicial para a biota aquática (se liberada nesta fase).
    No tratamento biológico grande parte do material orgânico em suspensão bem como o material dissolvido na água, é biologicamente oxidado por microorganismos até Dióxido de carbono (CO2) e água (H2O), ou transformado em lodo que pode ser removido com facilidade. Para possibilitar as reações conduzidas pelos microorganismos, a água é lançada sobre um leito de areia e pedregulho ou sobre um plástico coberto por bactérias anaeróbicas (bactérias que realizam a decomposição da matéria orgânica na ausência de ar), ou é bem agitada em um reator de aeração (processo de lodo ativado).
    Neste processo aeróbico, quanto mais aerado e maior for a concentração de organismos aeróbios, principalmente bactérias, a matéria orgânica é rapidamente degradada, processo este que levaria semanas para ocorrer em águas abertas como rios e lagos. A redução da DBO neste processo é variável de local para local. A ação dos microorganismos depende de condições ambientais favoráveis, como pH (Potencial Hidrogeônico), temperatura, tempo de contato, quantidade de oxigênio, etc.
    No final do tratamento, esta água é diluída com uma quantidade de água natural, para que os impactos na vida aquática do corpo hídrico sejam menores. Geralmente no Brasil, o tratamento é realizado até a fase secundária, mas em outros países existe o tratamento até a fase terciária (avançado ou químico) e até quaternária (remoção de hormônios).

6. TIPO DE TRATAMENTO REALIZADO EM JOANÓPOLIS

O tratamento secundário geralmente inclui unidades para o tratamento preliminar, mas pode ou não incluir unidades para o tratamento primário, como no caso de Joanópolis, onde o tipo de tratamento realizado na ETE é a lagoa aerada mais a lagoa de decantação.

Após a passagem do esgoto bruto no tratamento preliminar, onde são removidos os sólidos grosseiros e a areia, o esgoto segue para uma lagoa aerada, onde é aumentado o nível de aeração, fazendo com que haja uma turbulência de certo modo que, além de garantir a oxigenação, permita ainda que todos os sólidos sejam mantidos em suspensão no meio líquido. Esta mistura completa é advinda do alto grau de energia por unidade de volume, responsável pela total mistura dos constituintes em toda a lagoa. Entre os sólidos mantidos em suspensão e em mistura completa se incluem, além da matéria orgânica do esgoto bruto, também as bactérias (biomassa).

Existe, em decorrência disto, uma maior concentração de bactérias no meio líquido, além de um maior contato matéria orgânica - bactérias. Com isto, a eficiência do sistema aumenta bastante, permitindo a que o volume da lagoa aerada seja bastante reduzido. O tempo de detenção típico na lagoa aerada é da ordem de 2 a 4 dias.

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Foto 6. - Modelo de Lagoa de Aeração.

No entanto, apesar da elevada eficiência desta lagoa na remoção de matéria orgânica originalmente presente nos esgotos, a biomassa permanece em suspensão em todo o volume da lagoa, saindo com o efluente da lagoa. Analisando esta biomassa, ela também é matéria orgânica, ainda que de uma natureza diferente da DBO do esgoto bruto. Se esta nova matéria orgânica fosse lançada no corpo hídrico receptor, iria exercer também uma demanda de oxigênio, causando a deterioração da qualidade das águas.

Por isso é importante que haja uma unidade a jusante, na qual os sólidos em suspensão (predominantemente biomassa) venham a se sedimentar. Esta unidade é uma lagoa de decantação, com a finalidade de permitir a sedimentação e acúmulo dos sólidos.

A lagoa de decantação é dimensionada com um tempo de detenção bem reduzido, em torno de 2 dias. Nela, os sólidos vão para o fundo, onde são armazenados por um determinado tempo, após o qual são removidos. Há também lagoas de decantação com remoção contínua do lodo de fundo, através de bombas acopladas em balsas. A área requerida por este sistema de lagoas é a menor dentre os diversos sistemas de lagoas aeradas.

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Foto 7. - Modelo de lagoa de decantação.

7. Padrões de LANÇAMENTO DE ESGOTO EM CORPOS HÍDRICOS

A Resolução CONAMA nº 357/2005 dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes.

Para definição e entendimento da normativa é preciso entender alguns conceitos descritos abaixo:

  • Águas doces: são aquelas com salinidade igual ou inferior a 0,5%;
  • Ambiente lótico: relativo às águas continentais moventes (rios, ribeirões e córregos);
  • Ambiente lêntico: relativo às águas continentais estagnadas (lagos, represas e barramentos);
  • Condições de lançamento: condições e padrões de emissão adotados para o controle de lançamentos de efluentes no corpo receptor;
  • Corpo receptor: corpo hídrico superficial que recebe o lançamento de um efluente.
O Rio Jacareí é classificado como classe 2, que são águas que podem ser destinadas:
  • ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
  • à proteção das comunidades aquáticas;
  • à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274/2000;
  • à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e
  • à aqüicultura e à atividade de pesca.

Pela Resolução estão descritos diversos parâmetros de lançamento, sendo que centraremos nos provenientes do lançamento de esgotos sanitários:

  • Turbidez: até 100 UNT;
  • Cor verdadeira: até 75 mg PT/L;
  • pH: 6,0 a 9,0;
  • DBO 5 dias a 20º C: até 5 mg/L;
  • OD (Oxigênio Dissolvido), em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/L;
  • Fósforo (P) Total: até 0,050 mg/L (tributário direto de ambiente lêntico);
  • Coliformes termotolerantes: não deverá ser excedido um limite de 1000 coliformes termotolerantes por 100 ml em 80% ou mais de pelo menos seis amostras coletadas durante o período de 1 ano, com freqüência bimestral;
  • Sulfato total: até 250 mg/L;
  • Nitrogênio amoniacal total:
    • 3,7 mg/L, para pH menor ou igual a 7,5
    • 2,0 mg/L, para pH maior que 7,5 e menor ou igual a 8,0
    • 1,0 mg/L, para pH maior que 8,0 e menor ou igual a 8,5
    • 0,5 mg/L, para pH maior que 8,5.

8. DETERGENTES E PRODUTOS DE LIMPEZA, COMPOSIÇÃO E PROBLEMAS AMBIENTAIS

Os detergentes amplamente empregados nas residências, comércios e indústrias são um dos constituintes mais importantes no esgoto, quando considerados no tratamento e no lançamento em corpos hídricos. Isso porque em sua composição o detergente é formado por um Tensoativo Aniônico, que é responsável pela característica mais importante e desejada em um detergente, a capacidade de remoção das sujeiras. Isso é possível devido a sua estrutura, constituída de uma parte hidrofílica (que interage com a água) e uma parte hidrofóbica (reage com óleos e gorduras).

Geralmente o componente ativo empregado atualmente é o Linear Alquil Benzeno Sulfonato de Sódio (LASna), comumente chamado de ácido sulfônico. Este componente tem um baixo custo de produção como também é um excelente detergente, emulsionante, promotor de espuma e molhante. São compostos de biodegradabilidade rápida (degradam-se em contato com o meio ambiente), comparados a outro componente ativo também utilizado o Alquil Benzeno Sulfonato de Sódio.

Os detergentes afetam profundamente a tensão superficial dos corpos hídricos, pois a coesão molecular da camada superficial das águas é essencial para uma infinidade de seres aquáticos, inclusive de grande porte, como os patos. Os detergentes reduzem muito a força de coesão entre as moléculas de água, permitindo maior poder de difusão e penetração. Com este processo, produzem danos na fauna microbiana aquática que vive na superfície das águas, e afetam todos os seres aquáticos.

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Foto 8. - Detergente e materiais de limpeza domésticos.

Devido à ampla utilização de detergentes e os sabões em pó, a tensão superficial pode ser reduzida a níveis muito baixos, causando grandes prejuízos às comunidades que vivem na superfície da água. Esta região, conhecida como Interface Água-Ar, é habitada por 2 comunidades: os nêuston e os plêuston. A primeira é formada por organismos microscópicos como bactérias, fungos e algas, e a segunda é formada por plantas superiores e animais como aguapé, alface da água e inúmeros pequenos animais como larvas.

Também, o caráter alcalino da água provocado pela presença de detergentes e produtos de limpeza pode prejudicar as características do solo, caso a água deste corpo hídrico seja utilizada na irrigação.

Outro problema é a utilização de detergentes sintéticos não biodegradáveis com formulação química à base de fósforo (P), que são considerados os principais agentes do processo de eutrofização dos corpos hídricos, pois o fósforo é o agente limitante da produtividade do meio aquático.

9. APLICAÇÃO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS DAS ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO

A água residuária proveniente das Estações de Tratamento pode ser utilizada para geração de energia, refrigeração de equipamentos, processos industriais diversos, lavagem de ruas e na agricultura, a custos bem menores do que a água tratada.
Para aplicação de águas residuárias na agricultura é necessário o licenciamento ambiental junto à CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), sendo que há algumas restrições que devem ser consideradas para este reuso:

Área

  • área de aplicação não estar contida em área de preservação permanente (APP) ou de reserva legal, conforme o Código Florestal e outras normativas;
  • no caso da área de aplicação estar localizada dentro de uma Área de Proteção Ambiental - APA, a aplicação não poderá estar em desacordo com o regulamento da Unidade de Conservação;
  • não estar contida em área de proteção de poços;
  • não estar localizada em área de proteção máxima de aqüífero e em áreas de proteção dos mananciais;
  • afastamento de 50 metros de vias públicas, quando se tratar de aplicação não localizada (aspersão, irrigação em área total, etc);
  • afastamento de 500 metros de núcleos populacionais, com o objetivo de evitar problemas relacionados ao odor. Esta distância pode ser aumentada ou diminuída a critério da CETESB;
  • a profundidade do nível de água do lençol freático, medido no final do período das chuvas, deve ser, no mínimo, de 2 metros;
  • declividade máxima de até 15% para a área destinada à aplicação, devendo adotar medidas conservacionistas preventivas para evitar problemas de erosão do solo;
  • os tanques de armazenamento de efluente de ETE para aplicação deverão ser instalados em áreas com impermeabilização com geomembrana ou outra técnica de igual ou superior efeito.
    Para receber as águas residuárias das ETEs para aplicação, as propriedades agrícolas deverão estar em conformidade com a legislação ambiental (APPs e reserva legal averbada).

Uso Pretendido

Será permitida a aplicação em:

  • pomares;
  • culturas que não são consumidas cruas;
  • forrageiras, exceto para pastejo direto;
  • áreas de reflorestamento e plantações florestais;
  • irrigação paisagística ou esportiva.

 

Sistema de Tratamento

Os Sistemas de Tratamento, no lançamento do efluente de forma direta ou indireta nos corpos hídricos, deverão atender as condições e padrões exigidos pela legislação vigente.

Efluente

As concentrações máximas permitidas nas águas residuárias das ETEs para aplicação na agricultura são baseados nos trabalhos da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e nos padrões exigidos pela legislação brasileira. Além de atender a estes requisitos, o efluente não deverá provocar efeitos tóxicos nos organismos do solo (bactérias, fungos, actinomicetos, minhocas), comprovado por ensaios ecotoxicológicos ou outros métodos.

Operação

O gerador do esgoto doméstico tratado deverá manter o proprietário, arrendatário, operadores e transportadores informados das restrições de uso da área, do esgoto e das culturas.

Atendidos todos os requisitos acima, deverá ser elaborado um Plano de Aplicação de Efluentes, que deve conter tópicos quanto aos efluentes, quanto à área e ao projeto.
No projeto, um dos tópicos é a Taxa de Aplicação, que pode ser calculada em função do Nitrogênio (N) disponível, da necessidade hídrica da espécie vegetal ou em função de outros elementos.

10. APLICAÇÃO DO LODO DE ETE COMO FERTILIZANTE AGRÍCOLA

O tratamento de esgotos resulta na produção de um lodo rico em matéria orgânica e nutrientes, denominado de maneira geral como lodo de esgoto.

A disposição final deste lodo geralmente ocorre em aterros sanitários (diminuindo assim o tempo de vida útil destes locais) ou é incinerado (processo de alto custo operacional). Mas, uma das alternativas para o lodo é o uso na agricultura por aplicação direta, como fertilizante, compostagem ou como condicionador do solo. Esta alternativa é uma das mais convenientes, pois o lodo de esgoto é rico em matéria orgânica e em macronutrientes (nutrientes que as plantas precisam em grandes quantidades) e micronutrientes (nutrientes que as plantas precisam em menores quantidades).

Também devem ser observados que o lodo de esgoto apresenta diversos poluentes, entre eles metais pesados, compostos orgânicos persistentes e organismos patogênicos. A CETESB, no licenciamento para utilização do lodo de esgoto para aplicação agrícola, exige também que se observe um regulamento chamado Valores Orientadores para Solo e Água Subterrânea no Estado de São Paulo.

O lodo de esgoto apresenta originalmente em torno de 95% de umidade e para ser caracterizado como fertilizante agrícola, conforme o Decreto Federal nº 4954/04, deve conter no máximo 70% de umidade. Deve-se também observar o contido nas Instruções Normativas nº 23 e 27, do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que tratam respectivamente sobre patógenos e metais. Por isso, o lodo necessita de prévio tratamento, antes da utilização como fertilizante, para remoção de patógenos e diminuição da umidade.

Um lodo de esgoto típico apresenta em sua composição em torno de 40% de matéria orgânica, 4% de Nitrogênio (N) e 2% de Fósforo (P), além dos demais macro e micronutrientes.

A aplicação de lodo de esgoto no solo causa alterações nas propriedades físicas, químicas e biológicas do mesmo. Além do que, por ser rico em matéria orgânica, o lodo pode colaborar no controle de doenças de plantas, pois suas características possuem a capacidade de estimular os microorganismos benéficos do solo. Como também, a aplicação em doses superiores do que a recomendada, pode causar diversas doenças nas plantas, além da potencial contaminação do solo e do lençol freático.

Pelo exposto acima, a aplicação e o monitoramento devem ser monitorados e acompanhados, para evitar impactos ambientais e agrícolas indesejáveis.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- BAIRD, COLIN. Química Ambiental/Colin Baird; tradução Maria Angeles Lobo Recio; Luiz Carlos Marques Carrera - 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. 622p.

- BASSOI, LINEU JOSÉ. Conceitos fundamentais e principais soluções no tratamento de esgotos domésticos. São Paulo: CETESB/SMA, 2009. 9p.

- BETTIOL, WAGNER; CAMARGO, OTÁVIO A. Lodo de esgoto na agricultura: potencial de uso e problemas. IAC - Instituto Agronômico de Campinas. Disponível em: <www.iac.sp.gov.br/ECS/WORD/LodoInstitutodeEducacaoTecnologica.htm>. Acessado em: 02 Dezembro 2009

- BORGES, LUCIANA ZABROCKI. Caracterização da água cinza para promoção da sustentabilidade dos recursos hídricos. Curitiba: UFPR, 2003. 91p.

- CBH - PCJ, Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí; IRRIGART - Engenharia e Consultoria em Recursos Hídricos e Meio Ambiente Ltda. "Relatório de Situação dos Recursos Hídricos das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí 2004 - 2006". Americana. 2007.

- CBH - PCJ, Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Plano de Bacias 2008-2011. Americana. 2008.

- CONSÓRCIO PCJ, Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. "Diagnóstico Regional Informativo - Abastecimento de Água - Diagnóstico dos Municípios - 2007". Americana. 2007.

- DA SILVA, DIEGO DE T. L. Artigos Diversos. Estância Turística de Joanópolis. Ecologia. Disponível em: <www.joanopolis.com.br/ecologia.html>. Acessado em: 01 Dezembro 2009.

- GHINI, RAQUEL; BETTIOL, WAGNER. Uso agrícola de lodo de esgoto pode ter efeitos na ocorrência de doenças de plantas. Jaguariúna: Embrapa Meio Ambiente. 3p.

- SABESP - SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Disponível em: <www.sabesp.com.br>. Acessado em: 30 Novembro 2009.

- SÃO PAULO (estado). DAEE - DEPARTAMENTO DE ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. Relatório de Outorga de Uso dos Recursos Hídricos. Disponível em: <www.daee.sp.gov.br>. Acessado em: 27 Novembro 2009.

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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