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Monitoramento do Sistema Cantareira - Janeiro 2010 | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Monitoramento do Sistema Cantareira - Janeiro 2010
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Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Seg, 01 de Fevereiro de 2010 23:13
MONITORAMENTO DO SISTEMA CANTAREIRA
RELATÓRIO REFERENTE AO MÊS DE JANEIRO DE 2010

RESUMO: Relatório elaborado com o objetivo de demonstrar a situação do Sistema Cantareira, com ênfase no chamado Sistema Equivalente, formado pelos Reservatórios Jaguari/Jacareí, Cachoeira e Atibainha, com dados técnicos, avaliações e informações que possam subsidiar ações e demonstrar a situação do sistema.

1. INFORMAÇÕES

Este relatório de monitoramento tem como objetivos principais a verificação da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira durante o mês de janeiro, com ênfase no chamado Sistema Equivalente (Reservatórios Jaguari/Jacareí, Cachoeira e Atibainha). Constam neste relatório dados sobre as vazões liberadas e disponibilizadas à jusante (após os reservatórios), o volume transferido para abastecimento da RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), o volume operacional de cada reservatório, a cota de altura do nível da água, a vazão natural afluente dos tributários (Rios Cachoeira, Jaguari, Jacareí e Atibainha) e o volume de precipitação sobre a região, pois esta influencia diretamente a vazão afluente e o volume dos reservatórios.

2. CARACTERIZAÇÃO DE UM RESERVATÓRIO

Para entendimento dos dados e estruturas que compõem uma barragem (como os reservatórios constituintes do Sistema Cantareira), além da análise das informações e extensão técnica à população e interessados, que, muitas vezes, por desconhecimento e não entendimento do funcionamento, operação e construção de uma barragem, realiza boatos quanto a possíveis "catástrofes" ou outros problemas, que não refletem a realidade e a técnica utilizada na construção e operação dos reservatórios.
Por estes motivos citados acima, levantamos dentro do Projeto a necessidade destes esclarecimentos e informações, além da transmissão e extensão de conhecimento técnico.
As barragens (ou reservatórios) têm como principais finalidades:

  • Regularização de um curso d'água;
  • Defesa contra as inundações;
  • Combate às secas;
  • Hidrelétrica;
  • Irrigação;
  • Navegação;
  • Recreação;
  • Abastecimento de água;
  • Contenção de rejeitos ou sedimentos;
  • Proteção ambiental;
  • Piscicultura.

Os principais órgãos que constituem uma barragem são: maciço, extravasor, tomada d'água, acesso, dissipador de energia, órgão de controle de estabilidade, proteções e outros órgãos, dependendo da finalidade do barramento.
A principal finalidade da construção de um reservatório é acumular parte das águas disponíveis nos períodos chuvosos ou na chamada época de cheia, com o objetivo de compensar as deficiências nos períodos de estiagem, exercendo um efeito de regularização das vazões naturais.
O Extravasor de um barramento é um órgão que permite a passagem da água à jusante. Também é classificada como uma estrutura de controle chamada vertedouro ou vertedor, que garante a integridade do reservatório (para as vazões máximas que ocorrem durante determinado período hidrológico), sendo um importante dispositivo de segurança dos reservatórios. Nas estruturas de controle de descarga de água dos reservatórios da região são aplicadas as soleiras com comportas, que variam a vazão liberada devido à abertura das mesmas.
A tulipa é um tipo de extravasor constituído de um poço vertical ou inclinado que descarrega o excesso de volume represado na barragem. Há reservatórios em que a tulipa funciona como mecanismo principal do extravasor, sendo a água liberada por janelas existentes nela e sua "boca" funcionando como mecanismo de segurança. Em outros reservatórios, ela funciona simplesmente como um mecanismo de segurança, onde o controle da vazão liberada ocorre nas comportas dos vertedouros, sendo que nas tulipas não há esse controle.
Dentro de um projeto para a construção de um reservatório, o extravasor é compreendido como o conjunto de 5 estruturas básicas, elencadas a seguir:

  • Canal de Aproximação;
  • Estrutura de Controle;
  • Estrutura de Condução;
  • Estrutura de Dissipação;
  • Canal de Restituição.

Na operação dos reservatórios há diversos termos que necessitam ser entendidos para a compreensão dos dados e informações deste relatório.

  • NA mínimo operacional: cota mínima necessária para a operação de um reservatório. É o limite superior do volume morto e inferior do volume útil do reservatório.
  • Volume Morto: parcela do volume total do reservatório inativa para fins de captação de água. É o volume do reservatório localizado abaixo do nível mínimo operacional.
  • NA máximo operacional: cota máxima permitida para a operação de um reservatório. É o limite superior do volume útil do reservatório.
  • Volume Útil: volume localizado entre os níveis mínimo operacional e máximo operacional. É o volume efetivamente destinado à operação do reservatório, ou seja, ao atendimento das necessidades de captação de água.
  • Volume de Espera: volume destinado ao amortecimento de cheia, com o objetivo de atender as restrições de liberação de vazão à jusante (capacidade da calha e comprometimento da infra-estrutura). Este volume varia conforme o período do ano (épocas de cheia e estiagem). Também define o nível máximo operacional e o nível meta do reservatório.
  • NA máximo maximorum: compreende à sobrelevação máxima disponível para a passagem de ondas de cheia. Quando o volume acumulado no reservatório ultrapassa os 100% do volume operacional (VOP) é alcançado este nível, sendo que o excesso de água começa a ser escoado por um mecanismo de segurança, chamado de tulipa (parte do órgão extravasor, que funciona como um "ladrão da caixa d'água" - ver explicação acima).
  • Crista do Barramento: é uma sobrelevação adicional ao nível máximo maximorum, que protege contra ondas formadas pelos ventos e, também, caracteriza uma segurança adicional ao trasbordamento em condições excepcionais (free-board).

3. O SISTEMA CANTAREIRA

O Sistema Cantareira é responsável pela produção de quase metade da água consumida pela RMSP (Região Metropolitana de São Paulo). É considerado um dos maiores sistemas de produção de água do mundo, apresentando uma área de aproximadamente 228 mil hectares, abrangendo 12 municípios (4 cidades mineiras e 8 cidades paulistas). Neste sistema ocorre a transposição de água da Bacia do Piracicaba para a Bacia do Alto-Tietê.
O chamado Sistema Equivalente é formado pelos Reservatórios Jaguari/Jacareí, Cachoeira e Atibainha. Este sistema é o divisor de águas das bacias do Piracicaba (dentro do Sistema Equivalente) e do Alto-Tietê (fora do Sistema Equivalente).

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Figura 1. - Figura Ilustrativa do Sistema Cantareira, demonstrando também o Sistema Equivalente.

Abaixo apresentamos a descrição dos reservatórios e estruturas do Sistema Cantareira:

- Reservatório Jaguari/Jacareí

Formado por duas barragens e um canal de interligação de 670 metros de extensão que conecta o Reservatório Jaguari ao Jacareí, sendo que este canal possibilita que estes reservatórios sejam operados como um sistema único. As estruturas de controle de cheias (vertedouro) do reservatório estão localizadas no Jaguari, enquanto o túnel de ligação (Túnel 7, com 5.885 metros de extensão) com o Reservatório Cachoeira está localizado no Jacareí. A área inundada do Reservatório cobre as áreas dos municípios de Joanópolis, Vargem, Piracaia e Bragança Paulista, com uma extensão de 50 km² de área inundada.
As vazões médias afluentes de longo termo para os corpos hídricos tributários deste Reservatório (conforme série histórica de 1930 a 2003) são:

  • Rio Jaguari: 21,4 m³/s;
  • Rio Jacareí: 4,0 m³/s.
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- Reservatório Cachoeira

Localizado no município de Piracaia, recebe a contribuição da vazão natural do Rio Cachoeira e a vazão proveniente do Reservatório Jaguari/Jacareí. Está ligado ao Reservatório Atibainha pelo túnel 6, com 4.700 metros, e por um canal de aproximadamente 1.200 metros.
À jusante do Reservatório há a liberação de água para o Rio Cachoeira, que atravessa o município de Piracaia (onde suas águas são utilizadas para abastecimento da população), seguindo até a divisa de Atibaia com Bom Jesus dos Perdões, onde há a junção dos rios Cachoeira e Atibainha, formando o Rio Atibaia.
A vazão média afluente de longo termo para o Rio Cachoeira (conforme série histórica de 1930 a 2003) é de 8,7 m³/s.

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- Reservatório Atibainha

Localizado no município de Nazaré Paulista. Recebe a contribuição natural do Rio Atibainha e do Reservatório Cachoeira (conseqüentemente também do Reservatório Jaguari/Jacareí). É ligado ao Reservatório Paiva Castro por um túnel (Túnel 5) com 9.840 metros de extensão.
À jusante do Reservatório há a liberação de água para o Rio Atibainha, que segue por Bom Jesus dos Perdões, recebendo na divisa entre Bom Jesus dos Perdões e Atibaia, o Rio Cachoeira, seguindo para o município de Atibaia. Na foz do Rio Atibaia e do Rio Jaguari (no município de Americana) ocorre a formação do Rio Piracicaba.
A vazão média afluente de longo termo para o Rio Atibainha (conforme série histórica de 1930 a 2003) é de 6,1 m³/s.

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- Reservatório Paiva Castro

Localizado no município de Mairiporã, neste reservatório há a união das águas transpostas da bacia do Piracicaba (pelo Túnel 5) e do volume produzido na bacia do Juquery. Após o reservatório, a água segue para a Estação Elevatória de Santa Inês, pelo túnel 3.

- Estação Elevatória de Santa Inês

Localizada ao lado da Serra da Cantareira. Cada bomba (no total são 4 bombas) tem capacidade de elevar 11 mil litros por segundo a uma altura de 120 metros. Na saída das bombas, a água percorre dois túneis (Túnel 4 e Túnel 1), chegando ao Reservatório de Águas Claras.

- Reservatório Águas Claras

Localizado no alto da Serra da Cantareira, é uma represa com função de segurança do sistema, pois mantém um fluxo contínuo caso a Estação Elevatória de Santa Inês pare. A água sai por gravidade e chega à ETA (Estação de Tratamento de Água) do Guaraú, através do Túnel 2, com 4.878 metros de extensão.

- ETA (Estação de Tratamento de Água) do Guaraú

Estação do tipo convencional, tendo uma capacidade de tratamento de 33 mil litros por segundo e uma capacidade de reservação de água tratada de 40 milhões de litros. As etapas do tratamento são gradeamento, coagulação, floculação, decantação, filtração, correção de pH, desinfecção e fluoretação.

4. TERMOS UTILIZADOS

- Qnat Média (m³/s): vazão média natural afluente. É uma média mensal do volume de água afluente dos Reservatórios, advindo dos corpos hídricos. (m³/s - mil litros por segundo).
- Qjus Média (m³/s): vazão média liberada à jusante pelos reservatórios. É uma média mensal do volume de água liberado pelos vertedouros (comportas) do reservatório para os corpos hídricos. (m³/s - mil litros por segundo).
- QT7 Média (m³/s): vazão média mensal transferida do Reservatório Jaguari/Jacareí pelo Túnel 7 para o Reservatório Cachoeira. É uma média mensal do volume de água transferido. (m³/s - mil litros por segundo).
- QT6 Média (m³/s): vazão média mensal transferida do Reservatório Cachoeira pelo Túnel 6 para o Reservatório Atibainha. É uma média mensal do volume de água transferido. (m³/s - mil litros por segundo).
- QT5 Média (m³/s): vazão média mensal transferida do Reservatório Atibainha pelo Túnel 5 para o Reservatório Paiva Castro. É uma média mensal do volume de água transferido. (m³/s - mil litros por segundo).
- VOP: Volume Operacional dos Reservatórios e do chamado "Sistema Equivalente" (determinado em porcentagem).
- Vol. Acum. (hm³): volume total acumulado no Reservatório ou no Sistema Equivalente. Neste volume é contabilizado o Volume Morto. (hm³ - milhões de metros cúbicos).
- Vol. Útil Acum. (hm³): volume útil acumulado no Reservatório ou no Sistema Equivalente. Este é o volume que efetivamente pode ser utilizado para as finalidades do Reservatório. (hm³ - milhões de metros cúbicos).
- Cota (m): é a altura do nível da água em metros acima do nível do mar, calculado através de seu Volume Operacional, considerando como 0% o nível mínimo operacional e 100% o nível máximo operacional.
- Volume Mensal Acumulado (hm³): volume de água que efetivamente ficou reservado durante o mês no Reservatório ou no Sistema Equivalente (o chamado "Banco de Águas"). (hm³ - milhões de metros cúbicos).

5. MÉTODOS UTILIZADOS

A coleta de dados foi realizada junto à SABESP e ao Comitê de Bacias PCJ, sendo que coletamos diariamente os dados e compilamos os mesmos nas planilhas, de modo que pudemos observar e analisar os dados, além da possibilidade de criar gráficos e informações específicas sobre cada reservatório.
Neste relatório inserimos algumas modificações que podem ser observadas, como as tabelas para análise, os dados e informações dos reservatórios, explicação de termos e estruturas hidráulicas. Estas modificações têm o objetivo de melhorar e aperfeiçoar o relatório, sua interpretação e entendimento.
As avaliações foram realizadas sobre esses dados, que são os mesmos analisados pelos tomadores de decisão, órgãos públicos (DAEE e ANA), gestores do Sistema, pela SABESP e pelo Comitê PCJ, através da Câmara Técnica (CT) de Monitoramento Hidrológico e do Grupo Técnico (GT) do Sistema Cantareira.

6. RELATÓRIO DE MONITORAMENTO

6.1. Reservatório Jaguari/Jacareí

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Legenda: Qnat Média: vazão média natural afluente; Qjus Média: vazão média liberada à jusante do reservatório; QT7 Média: vazão média do túnel 7, que é transferida para o Reservatório Cachoeira; VOP: volume operacional do reservatório; Vol. Acum.: volume total acumulado no reservatório; Vol. Útil Acum.: volume útil acumulado no reservatório; Cota: altura do nível da água em metros cima do nível do mar; Volume Mensal Acumulado: volume de água que efetivamente ficou reservado no reservatório durante o mês; m³/s: metros cúbicos por segundo ou mil litros por segundo; hm³: milhões de metros cúbicos; m: metros.

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Gráfico 1. - Vazão natural afluente (Qnat), vazão liberada à jusante do reservatório (Qjus) e Vazão Túnel 7 (QT7).

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Gráfico 2. - Volume Operacional do Reservatório Jaguari/Jacareí

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Gráfico 3. - Nível da Água do Reservatório Jaguari/Jacareí

6.2. Reservatório Cachoeira

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Legenda: Qnat Média: vazão média natural afluente; Qjus Média: vazão média liberada à jusante do reservatório; QT6 Média: vazão média do túnel 6, que é transferida para o Reservatório Atibainha; VOP: volume operacional do reservatório; Vol. Acum.: volume total acumulado no reservatório; Vol. Útil Acum.: volume útil acumulado no reservatório; Cota: altura do nível da água em metros cima do nível do mar; Volume Mensal Acumulado: volume de água que efetivamente ficou reservado no reservatório durante o mês; m³/s: metros cúbicos por segundo ou mil litros por segundo; hm³: milhões de metros cúbicos; m: metros.

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Gráfico 4. - Vazão natural afluente (Qnat), vazão liberada à jusante do reservatório (Qjus) e vazão Túnel 6 (QT6).

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Gráfico 5. - Volume Operacional do Reservatório Cachoeira

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Gráfico 6. - Nível da Água do Reservatório Cachoeira

6.3. Reservatório Atibainha

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Legenda: Qnat Média: vazão média natural afluente; Qjus Média: vazão média liberada à jusante do reservatório; QT5 Média: vazão média do túnel 5, que é transferida para o Reservatório Paiva Castro, em Mairiporã; VOP: volume operacional do reservatório; Vol. Acum.: volume total acumulado no reservatório; Vol. Útil Acum.: volume útil acumulado no reservatório; Cota: altura do nível da água em metros cima do nível do mar; Volume Mensal Acumulado: volume de água que efetivamente ficou reservado no reservatório durante o mês; m³/s: metros cúbicos por segundo ou mil litros por segundo; hm³: milhões de metros cúbicos; m: metros.

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Gráfico 7. - Vazão natural afluente (Qnat), vazão liberada à jusante do reservatório (Qjus) e vazão Túnel 5 (QT5).

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Gráfico 8. - Volume Operacional do Reservatório Atibainha

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Gráfico 9. - Nível da Água do Reservatório Atibainha

6.4. SISTEMA EQUIVALENTE (FORMADO PELOS RESERVATÓRIOS JAGUARI/JACAREÍ, CACHOEIRA E ATIBAINHA)

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Legenda: Qnat Média: vazão média natural afluente; Qjus Média: vazão média liberada à jusante do sistema; QT5 Média: vazão média do túnel 5, que é transferida para o Reservatório Paiva Castro, em Mairiporã; VOP: volume operacional do sistema; Vol. Acum.: volume total acumulado no sistema; Vol. Útil Acum.: volume útil acumulado no sistema; Volume Mensal Acumulado: volume de água que efetivamente ficou reservado no sistema durante o mês; m³/s: metros cúbicos por segundo ou mil litros por segundo; hm³: milhões de metros cúbicos.

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Gráfico 10. - Vazão natural afluente total (Qnat), vazão liberada à jusante dos reservatórios (Qjus) e vazão Túnel 5 (QT5).

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Gráfico 11. - Volume Operacional do Sistema Equivalente

6.5. PLUVIOMETRIA DO SISTEMA CANTAREIRA

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Gráfico 12. - Precipitação Diária na Região.

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Gráfico 13. - Comparação do Volume de Precipitação Mensal com a média histórica.

7. AVALIAÇÃO

Durante o mês de janeiro houve uma elevação da vazão natural afluente e da vazão liberada à jusante dos reservatórios, mas uma queda no volume transferido para abastecimento da RMSP pelo Túnel 5, comparado ao mês de dezembro de 2009. Também observamos uma queda do volume acumulado durante o mês de janeiro em comparação com o volume acumulado no mês de dezembro (mês que em houve um grande acúmulo de água nos reservatórios).
Os reservatórios que compõem o Sistema Cantareira na região mantiveram os picos altos de reservação, além de elevação do volume operacional, vazão afluente e de precipitação.
Avaliando a média de contribuição para o Sistema advindo dos seus tributários, a bacia hidrográfica do Rio Jaguari contribuiu com o maior volume (65,15 m³/s na média diária), a bacia do Rio Cachoeira contribuiu com 20,71 m³/s na média diária, a bacia do Rio Atibainha com 16,31 m³/s e a do Rio Jacareí com 12,18 m³/s na média diária. Comparado com o mês de dezembro, em todas as bacias hidrográficas houve elevação da vazão média diária, somando a média de 114,35 m³/s para o sistema (dezembro apresentou 95,93 m³/s).

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Gráfico 14. - Contribuição Média dos Tributários do Sistema Equivalente

7.1. PRECIPITAÇÃO SOBRE A REGIÃO

O volume de precipitação sobre a região apresentou um total de chuvas de 487,0 mm, volume este 90,31% superior à média histórica registrada (255,9 mm). Dos 31 dias do mês de dezembro, em 28 deles houve algum episódio de precipitação (chuva, garoa, etc.). Estas precipitações constantes e volumosas (e também intensas em vários dias) influenciam diretamente a vazão dos corpos hídricos tributários do sistema e, consequentemente, o volume liberado à jusante pelos reservatórios.
Este volume é considerado o mais elevado já registrado para o mês de janeiro, desde o início do monitoramento pluviométrico na região. O volume pluviométrico do mês de dezembro também foi considerado o mais elevado para o referido mês.
Devemos esclarecer que além do aumento da vazão instantânea dos corpos hídricos, dias após as chuvas, a vazão dos corpos hídricos permanecem elevadas, pois as águas da chuva infiltram no solo, abastecendo o lençol freático (nível freático, nível da água ou nível potenciométrico), que é responsável por abastecer as nascentes e os corpos hídricos nos dias de estiagem.
A elevação instantânea do volume de vazão dos corpos hídricos deve-se também aos diversos solos existentes na região, à formação geológica, ao relevo (devido à declividade acentuada), à cobertura vegetal e à ocupação do solo (urbana e rural). Também ressaltamos que com as chuvas constantes, o solo fica saturado e a água de chuva não infiltra, escoando superficialmente e alcançando rapidamente os corpos hídricos (como ocorrido este mês).
Os volumes de chuva nas cabeceiras dos corpos hídricos são bastante altos, devido à altitude e ao caráter superúmido destas áreas, sendo que, devido à velocidade e ao volume dessas águas, alcançam rapidamente as áreas baixas das bacias hidrográficas e os reservatórios formadores do sistema.

7.2. RESERVATÓRIO JAGUARI/JACAREÍ

O Reservatório Jaguari/Jacareí (o maior do sistema equivalente) apresentou uma elevação da vazão média natural afluente, variando de 62,66 m³/s em dezembro para 77,33 m³/s neste mês, explicada pelos altos e constantes índices de chuva na região e, principalmente, nas cabeceiras dos corpos hídricos. A vazão média liberada à jusante pelo reservatório alcançou a média de 74,58 m³/s (316,42% superior à média registrada durante o mês de dezembro), sendo que desde o dia 30 de dezembro do ano passado, as comportas do reservatório encontram-se abertas para o escoamento do excesso de água reservada e, mesmo com este procedimento, houve um volume acumulado de 7,35 hm³ (milhões de metros cúbicos) durante o mês de janeiro (em dezembro o número registrado foi 95,73 hm³).
Neste mês não houve volume transferido pelo Túnel 7 para o Reservatório Cachoeira, devido aos altos volumes operacionais dos reservatórios à jusante e do fato do Reservatório Jaguari/Jacareí possuir a maior capacidade de reservação, em comparação com o Cachoeira e o Atibainha.
O volume total acumulado no reservatório alcançou 1.037,83 hm³ no dia 31, tendo um volume útil acumulado de 808,34 hm³. Os cálculos indicam uma cota de altura do nível da água de 844,01 metros acima do nível do mar (uma elevação de 21 cm desde o dia 31 de dezembro de 2009). O atual volume operacional do reservatório é de 100,06%.
Avaliando os dados do ponto de monitoramento do Rio Jaguari, localizado no bairro do Guaripocaba, dia 31 de janeiro, às 10:30 hs, o ponto apresentava uma vazão de 106,97 m³/s. A altura do nível da água no ponto era de 5,70 metros, sendo que 5,00 metros é o ponto de extravasamento.

7.3. RESERVATÓRIO CACHOEIRA

No Reservatório Cachoeira (o menor do sistema equivalente) houve uma elevação da vazão média natural afluente, variando de 18,17 m³/s em dezembro para 20,71 m³/s neste mês, explicada pelos altos e constantes índices de chuva na região e, principalmente, nas cabeceiras dos corpos hídricos (em Joanópolis e Camanducaia). A vazão média liberada à jusante pelo reservatório alcançou a média de 6,29 m³/s (185,91% superior à média registrada durante o mês de dezembro). O volume acumulado no reservatório foi de 8,29 hm³ (milhões de metros cúbicos) durante o mês de janeiro (em dezembro o número registrado foi 21,09 hm³).
Neste mês a média do volume transferido pelo Túnel 6 para o Reservatório Atibainha foi de 11,33 m³/s.
O volume total acumulado no reservatório alcançou 108,77 hm³ no dia 31, tendo um volume útil acumulado de 64,72 hm³. Os cálculos indicam uma cota de altura do nível da água de 820,95 metros acima do nível do mar (uma elevação de 1,18 metros desde o dia 31 de dezembro de 2009). O atual volume operacional do reservatório é de 91,74%.
Avaliando os dados do ponto de monitoramento do Rio Cachoeira, localizado na captação para abastecimento do município de Piracaia, dia 31 de janeiro, às 15:00 hs, o ponto apresentava uma vazão de 9,72 m³/s. A altura do nível da água no ponto era de 2,85 metros, sendo que 3,00 metros é o ponto de extravasamento.

7.4. RESERVATÓRIO ATIBAINHA

No Reservatório Atibainha (barramento de tamanho intermediário do sistema equivalente) houve uma elevação da vazão média natural afluente, variando de 16,10 m³/s em dezembro para 16,31 m³/s neste mês, explicada pelos altos e constantes índices de chuva na região e, principalmente, nas cabeceiras dos corpos hídricos (em Piracaia). A vazão média liberada à jusante pelo reservatório alcançou a média de 10,29 m³/s (194,84% superior à média registrada durante o mês de dezembro). O volume acumulado no reservatório foi de 13,34 hm³ (milhões de metros cúbicos) durante o mês de janeiro (em dezembro o número registrado foi 27,01 hm³).
Neste mês a média do volume transferido pelo Túnel 5 para o Reservatório Paiva Castro, localizado em Mairiporã, foi de 12,37 m³/s.
O volume total acumulado no reservatório alcançou 308,88 hm³ no dia 31, tendo um volume útil acumulado de 107,53 hm³. Os cálculos indicam uma cota de altura do nível da água de 787,23 metros acima do nível do mar (uma elevação de 66 cm desde o dia 31 de dezembro de 2009). O atual volume operacional do reservatório é de 107,36%.
Avaliando os dados do ponto de monitoramento do Rio Atibaia, localizado no município de Atibaia, dia 31 de janeiro, às 20:00 hs, o ponto apresentava uma vazão de 44,40 m³/s. A altura do nível da água no ponto era de 4,25 metros, sendo que 3,00 metros é o ponto de extravasamento.

7.5. SISTEMA EQUIVALENTE

O Sistema Equivalente (formado pelos Reservatórios Jaguari/Jacareí, Cachoeira e Atibainha) apresentou uma elevação da vazão média natural afluente, variando de 95,93 m³/s em dezembro para 114,35 m³/s neste mês. A vazão média liberada à jusante para a bacia do Piracicaba alcançou a média de 91,16 m³/s (286,27% superior à média registrada durante o mês de dezembro). O volume acumulado no Sistema durante o mês de janeiro foi de 28,98 hm³ (milhões de metros cúbicos), sendo que em dezembro o número registrado foi 143,83 hm³.
O volume médio transferido do Sistema para o Reservatório Paiva Castro, para atender as demandas da RMSP foi de 12,37 m³/s.
O volume total acumulado no Sistema alcançou 1.455,40 hm³ no dia 31, tendo um volume útil acumulado de 980,60 hm³. O atual volume operacional do Sistema Equivalente é de 100,21%.

7.6. AVALIAÇÃO GERAL

Pelo exposto acima, avaliamos que o Sistema apresenta um alto volume operacional, sendo que há a previsão de precipitações constantes e altas para o mês de fevereiro, devido à atuação de diversos fenômenos, principalmente o El Niño, com a elevação das temperaturas da água do Oceano Pacífico Equatorial (fenômeno que influenciará a qualidade de chuvas no estado de São Paulo até o final de março).
Ressaltamos que, mesmo com a previsão de diminuição do volume e intensidade das chuvas para os próximos dias, as previsões não descartam a possibilidade de ocorrências de chuvas convectivas ou localizadas, associadas à alta umidade do ar e da temperatura, e a atuação do fenômeno El Niño.
Estas condições climáticas sobre o estado de São Paulo atuarão até o mês de março (as previsões indicam, para fevereiro, a intensificação das chuvas na segunda quinzena), por isso o risco de novas inundações na região (tanto nos municípios localizados à montante dos reservatórios, bem como os localizados à jusante dos mesmos) para os dois próximos meses persiste. A média histórica de chuvas para o mês de fevereiro é de 207,7 mm.
O chamado Banco de Águas, formado pelas águas reservadas no Sistema Equivalente, apresentou, durante o mês janeiro, uma elevação do volume acumulado nos dois últimos meses, refletindo o alto volume mensal de precipitação na região e as altas vazões registradas nos corpos hídricos tributários.

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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