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Desenvolvimento Sustentável e a Questão Social | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Desenvolvimento Sustentável e a Questão Social
Ecologia
Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Seg, 01 de Junho de 2009 12:35
Pedra_do_Cume_e_represaA ação impactante do homem sobre a natureza provoca a ruptura do equilíbrio existente no meio ambiente, podendo comprometer todo um ecossistema. Esse equilíbrio é resultado de complexas relações que necessitaram de um longo tempo para se estabelecer.

É fato que os impactos ambientais provocam os impactos sociais e vice-versa. Entretanto, qualquer que seja a ação impactante que resulte em prejuízo para a qualidade de vida de uma população, terá seus custos socializados. Principalmente os grupos sociais menos privilegiados economicamente, os impactos ambientais e sociais representam sempre, um elevado ônus material e psíquico (perda de eletrodomésticos e bens materiais até o trauma e o desânimo que desastres naturais causam nas pessoas).

Mais delicada é a situação de grupos sociais que tem seus empregos e salários vinculados a certos empreendimentos empresariais que reconhecidamente degradam o meio ambiente local. Vivem assim o terrível dilema de perderem o emprego e o sustento familiar, no caso de a lei for cumprida ou de aceitarem passivamente uma qualidade de vida comprometida. Na maioria das vezes, como é óbvio, o empreendedor inescrupuloso, apenas se relaciona com aquela população e aquele local por meio daquele interesse econômico. Mora longe dali e certamente usufrui uma qualidade de vida incomparavelmente superior.

No Brasil, a maior parte da renda das camadas mais carentes da população deriva do uso do solo, da floresta e da água. O desmatamento descontrolado, a erosão dos solos e a poluição das águas privam os pobres de uma fonte de renda. O uso sustentável dos recursos naturais se transforma, então, numa questão tanto ambiental quanto social e econômica.

O vínculo entre sustentabilidade ambiental e econômica varia de país para país. Em economias ricas em recursos naturais, como a do Brasil, no entanto, o meio ambiente pode ajudar a financiar o desenvolvimento e melhorar o bem-estar da população.

A crise mundial que se iniciou em outubro do ano passado está demonstrando a fragilidade dos sistemas financeiro e produtivo atuais, em que bilhões de pessoas passam fome e necessidades, enquanto algumas poucas ganhavam bilhões de dólares sem produzir um parafuso e nem gerar um emprego. Crises especulativas como a atual - documentadas desde o século 17, com dimensões variadas - são sempre iniciadas em momentos de juros baixos e crédito farto, mais comum em fases de prosperidade.

Como se sabe que a situação é insustentável, o primeiro sinal - quebra de banco, disparada de uma moeda, moratória - causa pânico geral, e todos querem fugir ao mesmo tempo e multiplicam as perdas. Decisões individuais racionais, portanto, podem levar a comportamentos coletivos irracionais.

Os níveis de produção, incentivados pelo alto nível de consumo, apoiado por diversos segmentos e instrumentos de crédito, tornam-se cada vez mais insustentáveis do aspecto de utilização de recursos naturais e de sustentabilidade do meio ambiente. Os empregos perdidos nesta crise, que talvez nunca mais sejam recuperados, como também esta situação revelada com a crise (revelada, pois ela só estava ocultada por setores que lucravam bilhões) vai exigir um consumo racional e consciente (diferente dos níveis de consumo antes da crise), que irá racionalizar um sistema produtivo baseado na disponibilidade de recursos naturais, da melhoria energética e tecnológica, além da sustentabilidade ambiental.

A questão social deve ser discutida em conjunto com a questão ambiental e econômica, pois todas estão inter-relacionadas. Portanto se queremos uma sociedade socialmente justa, com melhor distribuição de renda, serviços públicos de qualidade, melhoria da qualidade e igualdade social, devemos transformar o modelo econômico atual e a relação com o meio ambiente, melhorando o uso dos recursos naturais, da energia, da tecnologia aplicada e de insumos. Transformar este modelo exige mudanças que sobem por determinados degraus, começando pela sociedade em geral (consumo e geração de demanda), políticas públicas (melhor utilização e direcionamento dos recursos públicos), das empresas e do setor produtivo em geral (melhoria tecnológica, relacionamento com a comunidade, responsabilidade sócio-ambiental e sua relação com os trabalhadores), para que possamos atingir este objetivo.

Joanópolis

A reportagem do SPTV 1ª Edição, que foi exibida no sábado dia 23/05/2009, citou bastante as nossas tradições, culturas, mitos e nossa natureza exuberante. Já havia citado no artigo "A valorização de nossa terra" que somos responsáveis pela preservação do meio ambiente, mas também é responsabilidade nossa zelar pelas tradições, cultura e tudo que é da nossa gente.

Deve ser esclarecido que desenvolvimento sustentável não quer dizer o impedimento da realização de determinadas atividades econômicas, mas sim o seu zoneamento local, cumprimento da legislação e com responsabilidade sócio-econômico-ambiental, para que aquela atividade seja importante na nossa cidade, trazendo desenvolvimento econômico, social e manutenção ou melhoria da qualidade de vida.

O turismo é um grande exemplo de atividade econômica que, se realizado com responsabilidade e com procedimentos corretos, implica no desenvolvimento econômico com melhoria da qualidade de vida, inserção social, preservação ambiental e capacitação profissional em cidades com potencial, como é a nossa Joanópolis.
Mas o desenvolvimento de atividades como o turismo necessita muito mais do que simplesmente "começar um negócio", necessita de incentivo do poder público, por meio de políticas e programas públicos, de linhas de financiamento e crédito com juros baixos, de uma divulgação do empreendimento, de capacitação profissional e de mão de obra local capacitada.

Além do que, o turismo depende de outras atividades dentro do município (agricultura, artesanato, comércio, feiras livres, lanchonetes, setor de lazer, pontos de referência para o turista) e da preservação ambiental (que é o carro chefe dessa atividade, pois é o que atrai os turistas das cidades grandes). Por isso a reativação do CONTUR - Conselho de Turismo da Estância Turística de Joanópolis (conforme noticiado pelo também presidente do Conselho Valter Cassalho) é de grande importância, pois é um organismo de participação da sociedade e do poder público para a elaboração de programas e projetos, além de receber sugestões e necessidades do setor.

Joanópolis tem um enorme potencial para o turismo, necessita ser mais focado e desenvolvido com a participação de profissionais do setor, da sociedade e do poder público.

"Como uma metrópole, o meu coração não pode parar, mas também não pode sangrar eternamente.
Tá faltando emprego neste meu lugar, eu não tenho sossego, eu quero trabalhar, já pensei até em passar a fronteira."

(Monólogo das Grandezas do Brasil, Belchior)

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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