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Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Dom, 17 de Maio de 2009 19:45

ChuvaNeste artigo e nos próximos estarei falando sobre os diversos tipos de desenvolvimento existentes, com foco no desenvolvimento sustentável, que é definido como as práticas de desenvolvimento que atendem às necessidades presentes sem comprometer as condições de sustentabilidade das gerações futuras. Seus princípios são baseados nas necessidades essenciais e, prioritariamente, aquelas das populações mais pobres; e limitações que a tecnologia e a organização social impõem ao meio ambiente.

Nesta primeira publicação da série trago um artigo sobre Sustentabilidade Ambiental, de autoria do Professor Doutor de Geografia da UNESP - Universidade Estadual Paulista, Fadel David Antonio Filho.

Sustentabilidade Ambiental

Desde o século 17, a burguesia mercantil e mais tarde a industrial, particularmente nos países de maioria protestante da Europa, justificava suas relações com a natureza com base na tradição judaica. O cristianismo, herdeiro desta tradição, encapava a idéia de que a natureza existia com uma única finalidade - servir aos interesses do homem, a teologia da época assim fornecia os alicerces morais para esse predomínio do homem sobre a natureza.

Mas ainda, a pressão do comércio internacional e a abertura das sociedades pré-capitalistas para o novo sistema dominante, vieram somar para a radical mudança de valores e perspectivas do homem com relação ao meio ambiente natural. Essa dicotomia (classificação baseada na divisão) homem natureza atingiu, hoje, com o capitalismo globalizado, sua maior discrepância (divergência) e paradoxismo (contradição).

Durante séculos e em especial durante os últimos 500 anos, a natureza foi vista como fonte de lucro e objeto de acumulação. Podia-se explorar, extrair, modificar, modelar os espaços colonizados, longe das metrópoles, nas Américas, na África ou na Ásia, deixando um rastro de destruição, poluição e devastação. Tudo era lícito (dentro da lei).

As distâncias oceânicas aparentemente serviam de barreira de limpeza entre os centros "civilizados" e as longínquas "regiões selvagens" do mundo. Hoje reconhecemos que não existem fronteiras para os efeitos da poluição e devastação ambiental. Não podemos mais fugir para lugares distantes, como mares do sul ou os recônditos (local retirado) da floresta amazônica, na busca de paragens (lugar onde se para) intocadas e livres dos efeitos da degradação ambiental.

Uma ação impactante numa escala local pode produzir efeitos devastadores em escala planetária. Por exemplo, a emissão de CFC (clorofluorcarbono), no mundo, por meio das indústrias de refrigeração, comprovadamente afeta a camada de ozônio (gás de cheiro característico, de cor azulada, constituído de 3 átomos de O2 e que se desenvolve em conseqüência de descarga elétrica. Age como um "escudo protetor" para a vida na Terra) que protege da radiação UV (Ultravioleta), abrindo enormes "buracos" que oscilam de forma mais espetacular sobre as zonas polares. Há registros de que os buracos que escasseiam o ozônio têm atingido as zonas de latitudes médias de grande povoamento, aumentando o perigo das doenças degenerativas da pele.

Paralelo a isto devemos derrubar alguns mitos que prejudicam a luta de defesa do planeta e escondem interesses de grupos econômicos ou empresas (portanto interesses vinculados ao capital). A idéia de que a Amazônia é o pulmão do mundo constitui um típico exemplo destes mitos, muitas vezes alardeados aos 4 ventos por ambientalistas e políticos. O certo seria afirmar que a Amazônia é comparável a uma imensa usina que produz e armazena biomassa, o que significa dizer que fixa ali um considerável estoque de energia, retendo CO2, responsável pelo aquecimento da atmosfera - o chamado efeito estufa, quando liberado pelas queimadas.

Outra idéia muito difundida é que os países desenvolvidos e industrializados possuem baixos índices de poluição, devido a leis ambientais mais rigorosas. Muito pelo contrário, os países mais poluídos do mundo, são exatamente os grandes países industrializados e os EUA, a pátria do capitalismo moderno, apesar do tão decantado rigor de suas leis e de acordo com a afirmação de seus próprios técnicos, é o país mais poluído do mundo. Esse fato serve para derrubar a idéia de que as multinacionais, impedidas de degradarem o ambiente em seus países de origem, instalam-se nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, onde as leis de proteção ambiental seriam mais brandas. Isto apenas serve para encobrir a gravidade da degradação nos chamados países desenvolvidos.

As leis ambientais brasileiras para quem não sabe estão entre as melhores do mundo. Contudo o que se observa é que a morosidade da justiça e a falta de vontade política na aplicação das leis, gera a impunidade. Além disto, é preciso entender que a falta de escrúpulos e a não obediência às leis por parte de algumas pessoas explicam a necessidade imposta pelo modelo econômico dominante na busca compulsiva do lucro, objeto que não pode ser alcançado sem o aniquilamento da natureza.

(Fadel David Antonio Filho - Professor Doutor em Geografia da UNESP)

"Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos.

Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil o pão, o arroz, o feijão, o aluguel.

Uma nova corrida do ouro, o homem comprando da sociedade o seu papel..."

(Dando milho aos pombos, Zé Geraldo)

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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