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Meio Rural e a Água | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Meio Rural e a Água
Ecologia
Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Qui, 30 de Abril de 2009 18:21
rio propriedadeNo contexto de preservação e gestão dos recursos hídricos não podemos deixar de falar da zona rural, seus impactos e importância na questão da água, já que a atividade agropecuária é tida como grande "vilã".

A atividade agropecuária é extremamente essencial, pela geração de alimentos e matérias primas necessários à vida humana. Mas, nos últimos tempos, outra grande importância tem sido atribuída a esta atividade, a função de grande produtora de água.

Os rios que cruzam as cidades, de onde é retirada água para abastecimento humano, para os processos industriais e outras atividades, nascem na zona rural e passam por várias propriedades rurais antes de chegar às nossas torneiras.

Os impactos nos recursos hídricos oriundos das atividades agropecuárias são diversos, podendo citar o uso intenso de agrotóxicos, tecnologia errada na utilização e conservação do solo, desperdício de água nos sistemas de irrigação, contaminação do lençol freático, desmatamento ciliar, erosão, assoreamento dos corpos hídricos e disposição do lixo em locais inadequados.

Há diversas leis, decretos e normas que tratam do contexto meio rural e recursos hídricos, sendo instrumentos de grande importância para todos os produtores rurais, não apenas pela necessidade de cumprimento da legislação, mas pela sustentabilidade de sua atividade que depende deste recurso e das ações desenvolvidas.

Ações que os produtores rurais devem aderir e praticar em suas propriedades como minimizar o uso de agrotóxicos - diminuindo os riscos de poluição dos recursos naturais, contaminação dos alimentos e intoxicação do homem; eliminar os problemas causados pelas erosões, recuperar os solos e áreas degradadas, mudança na tecnologia aplicada na propriedade (como a mudança para o sistema de plantio direto), reflorestamento ciliar, proteção dos mananciais e nascentes de água.

Estas ações devem também ser alvo de políticas públicas voltadas ao meio rural, como o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, para que o produtor tenha um suporte financeiro e técnico no desenvolvimento das ações.

Diante do exposto é que surge a grande questão que vem sendo muito discutida nos mais diversos organismos, será que todo o custo deve ficar nas costas do produtor rural, sendo que ao adotar boas práticas agrícolas e proteção dos recursos hídricos, estaremos usufruindo também destes benefícios.

A institucionalização do Pagamento por Serviços Ambientais é uma forma justa de estar compensando os produtores, sendo esta uma despesa que deve ser paga pelas empresas de saneamento básico, no caso de Joanópolis, a SABESP; pelos usuários e também com incentivos dos Governos Municipal, Estadual e Federal.

O recurso arrecadado que, além do Pagamento por Serviços Ambientais, deve ser usado na recomposição das matas ciliares, melhoria no sistema de captação, tratamento e distribuição de água; no sistema de tratamento de esgotos, na educação ambiental, nos projetos de pesquisa e nos Comitês e Agências de Bacias Hidrográficas, no nosso caso, o PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí).

Por isso deve ser ressaltado que o produtor rural não pode ser o único responsável pela preservação dos recursos hídricos, além do pagamento pelo uso da água e pelos serviços prestados pelos produtores rurais, temos responsabilidade na utilização e preservação da água. A mudança deve começar em nossas casas, no nosso uso doméstico e nos nossos padrões de consumo.

A cobrança pelo uso dos recursos hídricos tem por objetivos:

  • reconhecer a água como um bem público de valor econômico, dando ao usuário uma indicação de seu real valor;
  • incentivar o uso racional e sustentável da água;
  • obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos e de saneamento;
  • distribuir o custo sócio-ambiental pelo uso degradador e indiscriminado da água e
  • utilizar a cobrança da água como instrumento de planejamento, gestão integrada e descentralizada do uso da água e seus conflitos.

Fonte: Comitês de Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí

Disponível em: http://www.comitepcj.sp.gov.br/comitespcj.htm.

"No quintal lá de casa passava um pequeno rio, que descia lá da serra, ligeiro escorregadio. A água era cristalina que dava pra ver o chão. Ia cortando a floresta na direção do sertão. Lembrança ainda me resta, guardada no coração..."

(No Rastro da Lua Cheia, Almir Sater)

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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