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Poluição do Solo | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Poluição do Solo
Ecologia
Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Qua, 14 de Outubro de 2009 23:54

O licenciamento ambiental e a prevenção da poluição, tratadas dentro da legislação ambiental e das normas competentes, são de grande importância para o setor produtivo brasileiro e para a qualidade ambiental e proteção dos recursos naturais, visto a poluição do solo, da água e do ar serem problemas ambientais e de saúde pública de difícil resolução não só nos grandes centros urbanos, mas também nas cidades pequenas e na área rural.

Especificadamente falando sobre a poluição do solo, sabemos que o solo funciona como um filtro, tendo a capacidade de depuração e imobilização de grande parte das impurezas e resíduos nele depositadas. Mas quando esta capacidade (que é limitada, como qualquer outro recurso) é ultrapassada pode ocorrer alteração da qualidade do solo, devido ao efeito cumulativo da deposição de poluentes atmosféricos, à aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes e à disposição de resíduos sólidos industriais, urbanos, materiais tóxicos e radioativos (muitas vezes inadequadamente).

A preocupação com os impactos ambientais decorrentes da poluição no solo só recentemente têm sido discutida. Cada vez mais o solo é considerado um recurso limitado e fundamental no ecossistema mundial (um exemplo é o solo agrícola que é considerado "Patrimônio da Humanidade" pela ONU). As políticas públicas e as normas ambientais são temas de destaque nas áreas empresarial, agrícola e pública, mas também bastante divergentes, pelos aspectos técnicos, a dificuldade de entendimento, falta de vontade política e investimento financeiro, o que acaba causando efeitos negativos no ciclo de nutrientes na natureza (nitrogênio, carbono, fósforo) e da água, na produção de alimentos, de problemas de saúde e ambientais, afetando muitas vezes áreas locais e regionais.

Posto de combustível interditado em Goiás por contaminação do lençol freático com óleo diesel - Foto: Roosewelt Pinheiro/Abr. O solo protege o lençol freático, onde estão as reservas de água subterrânea, como o Aqüífero Guarani (o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo), tão utilizada pela população brasileira, subterrâneo este de onde brota nossas nascentes que são a origem dos nossos rios e de boa parte da água consumida pela população, sendo que determinadas atividades e métodos, se executados de maneira inadequada, podem causar a contaminação do solo afetando o lençol freático (atividades como postos de combustível, que são responsáveis por 75% das áreas contaminadas no estado de São Paulo, a aplicação irresponsável de agrotóxicos e a disposição de resíduos sólidos perigosos das atividades produtivas).

Uma área contaminada pode ser definida como uma área, local ou terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação causada pela introdução de quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural.

Outros grandes vilões são os lixões, aterros operados inadequadamente, cemitérios, a disposição inadequada de lixo e os acidentes ambientais. Os resíduos sólidos urbanos são cada vez mais preocupantes, não só na questão ambiental, mas como um problema de saúde pública. O lixo quando disposto de maneira e em locais inadequados ou nos famosos "lixões" geram impactos ambientais como a contaminação do lençol freático, dos recursos hídricos, do solo, mau-cheiro, atração de animais peçonhentos e doenças ao homem. O chorume (líquido escuro e turvo gerado pelo apodrecimento da matéria orgânica) possui um alto potencial de contaminação do lençol freático, sendo um dos contaminantes que mais preocupam os administradores urbanos e órgãos públicos, pelo seu grande potencial de causar impactos ambientais. Estima-se que 30 bilhões de toneladas de lixo são despejados anualmente no meio ambiente.

O Brasil produz 241.614 toneladas de lixo por dia. Dados dos municípios demonstram que:

  • 76% são depositados a céu aberto em lixões;
  • 13% em aterros controlados (caso de Joanópolis);
  • 10% em aterros sanitários;
  • 0,9% compostados em usinas;
  • 0,1% incinerados.

Lixo depositado de maneira inadequada é um dos grandes problemas ambientais e de saúde pública do Brasil. No momento em que um contaminante ou poluente atinge a superfície do solo, ele pode ser adsorvido, arrastado pelo vento ou pelas águas do escoamento superficial, ou lixiviado pelas águas de infiltração, passando para as camadas inferiores e atingindo as águas subterrâneas. Uma vez atingindo as águas subterrâneas, esse poluente será então carreado para outras regiões, através do fluxo dessas águas. Uma vez poluídas ou contaminadas, as águas subterrâneas demandam um elevado aporte de recursos financeiros e humanos para sua remediação, o que de modo geral é atingido ao final de vários anos.

Resíduos Sólidos das Atividades Industriais

Os resíduos sólidos industriais são classificados em:

  • Classe I - Perigosos -> apresentam características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, podem apresentar risco à saúde pública e efeitos adversos ao meio ambiente;
  • Classe II A - Não Inertes -> podem ter propriedades como combustibilidade, biodegrabilidade ou solubilidade em água, não se enquadram nas Classes I e II B;
  • Classe II B - Inertes -> quando submetidos ao teste de solubilização não tem nenhum de seus constituintes solubilizados, como exemplos as rochas, tijolos e vidros.


O armazenamento dos resíduos sólidos perigosos deve ser feito em áreas autorizadas pelo órgão ambiental, de maneira temporária à espera da reciclagem, recuperação, tratamento ou disposição final adequada, atendendo as condições básicas de segurança. Esta área deverá garantir uma perfeita acomodação dos resíduos, prevenindo em caso de derramamento ou vazamento que podem contaminar o solo (impermeabilização da área de armazenamento, bacias de contenção dos resíduos, diques, transporte adequado, contêineres de resíduos, áreas cobertas e ventiladas).

Os resíduos podem ser estocados em tambores (capacidade máxima de 250 litros), tanques (superior a 250 litros), a granel ou em montes, dependendo do volume de resíduos gerados e do aspecto técnico da área. Deverão ser rotulados de modo a possibilitar uma rápida identificação e o armazenamento também deve seguir as recomendações de segregação (separação) de forma a prevenir reações violentas por ocasião de vazamentos, ou ainda, que substâncias corrosivas possam atingir recipientes internos. A realização de inspeções semanais é de grande importância, com o objetivo de verificar se houve deterioração ou mau funcionamento dos sistemas de controle e captação de vazamentos.

Armazenamento em tambores.O controle de poluição é um dos aspectos técnicos mais importantes para as atividades industriais, pela obrigatoriedade de cumprimento da legislação, a gestão ambiental, o relacionamento com a comunidade e também para não acontecer impactos ou acidentes ambientais que possam fugir do controle da empresa afetando a população, os recursos naturais e, por conseqüência, a imagem da empresa e dos seus produtos junto à população e ao mercado.

Tempo de Decomposição dos Resíduos

Materiais Tempo de Degradação

Aço (latas) ---------------------------------------------------------- 10 anos
Alumínio ------------------------------------------------------------ 200 a 500 anos
Borracha ------------------------------------------------------------ indeterminado
Cerâmica ------------------------------------------------------------ indeterminado
Chicletes ------------------------------------------------------------- 5 anos
Cordas de Nylon ---------------------------------------------------- 30 anos
Filtros de Cigarro --------------------------------------------------- 5 anos
Isopor ----------------------------------------------------------------- indeterminado
Louças ---------------------------------------------------------------- indeterminado
Madeira --------------------------------------------------------------- mais de 6 meses
Madeira Pintada ----------------------------------------------------- 13 anos
Metais (componentes de equipamentos) ------------------------- cerca de 450 anos
Metais (latas de refrigerante e cerveja) --------------------------- 100 anos
Papel ------------------------------------------------------------------- 3 a 6 meses
Plásticos (embalagens, equipamentos) ---------------------------- até 450 anos
Plásticos (embalagens PET) ---------------------------------------- mais de 100 anos
Pneus ------------------------------------------------------------------- indeterminado
Restos Orgânicos ----------------------------------------------------- 2 a 12 meses
Tecidos de algodão --------------------------------------------------- 1 a 5 meses
Tetrapak (embalagens do leite) ------------------------------------- mais de 100 anos
Vidros ------------------------------------------------------------------ indeterminado

Fonte: CUT-RJ/Comissão de Meio Ambiente e Revista SUPERINTERESSANTE

Referências Bibliográficas

CETESB - COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. [on-line]
ENCINAS, CRISTIANE GANTUS - POSSIBILIDADES DE FUTURO, EDITORA TECMEDD, SÃO PAULO, 2004.

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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