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Quanto vale uma oportunidade?
Ecologia
Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Sex, 06 de Julho de 2012 20:26
Neste período de discussão e foco na Rio+20, que está sendo realizada na cidade do Rio de Janeiro, reunindo governantes e autoridades de várias nações mundiais, venho aqui propor uma discussão de quanto vale uma oportunidade?

catadorDigo isso, pois haverá diversas matérias e reportagens divulgando acordos, relatando discursos e outras ações de relevância provenientes da Rio+20, inclusive com cifras milionárias (e também bilionárias) de investimentos em meio ambiente, ou então pomposas promessas de investimentos e fundos ambientais.

Frente a tantas cifras financeiras, as comunidades locais (o cidadão comum) devem refletir da real necessidade "de tanto" para execução de trabalhos importantes em suas áreas, ou se "com pouco" (ou menos) é possível fazer muito, gerando oportunidades em nossas comunidades.

Oportunidade para as crianças e jovens terem uma educação de qualidade, incluindo o processo de educação ambiental construtivo, formando cidadãos responsáveis, qualificados e conscientes, capazes de conduzir as transformações necessárias em suas comunidades.

Oportunidade dos pequenos e médios produtores rurais conciliarem a preservação ambiental com produtividade adequada e satisfatória, produzindo em suas terras sem degradar o meio ambiente, com desenvolvimento social e crescimento econômico de suas atividades.

Oportunidade dos catadores de materiais recicláveis trabalharem de forma digna e segura, com o reconhecimento do valor de seu trabalho, recebendo valores financeiros justos na comercialização dos materiais recicláveis; pois estes são verdadeiros empreendedores locais, reconhecidamente trabalhando pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades (a tão decantada economia verde).

Oportunidade de reconhecimento do valor econômico dos serviços ecossistêmicos, oferecidos gratuitamente pelo ambiente natural, pagando pelos serviços ambientais aos que preservam e conservam adequadamente o meio ambiente.

Oportunidade para as famílias, residentes em áreas de risco (por exemplo, deslizamento e inundação), habitar locais seguros, com condições adequadas de saneamento e meio ambiente, de forma a propiciar o sono tranquilo destas pessoas.

Oportunidade de morarmos em cidades, em que as propriedades urbanas cumpram a sua função social, com adequados e efetivos programas habitacionais de interesse social, visando evitar a necessidade de ocupação de áreas de risco pelos menos favorecidos e/ou residirem em loteamentos clandestinos; não importando se estas áreas estão próximas de bairros nobres ou se os residentes destes bairros nobres são contrários a esta oportunidade, quando os motivos não forem tecnicamente suficientes para impedir estes programas habitacionais de interesse social.

Oportunidade das comunidades preservarem sua história, cultura e patrimônio ambiental, de forma a manter vivas as suas tradições, com a transmissão desses valores para as futuras gerações.

Oportunidade das comunidades tradicionais e indígenas habitarem suas terras e desenvolverem suas atividades, sem ameaças, mortes, lutas e/ou perseguições, que tanto envergonham os cidadãos de bem.

Oportunidade de um sistema econômico adequado, em que a medida de riqueza não seja somente o Produto Interno Bruto (PIB), envolvendo outras variáveis relacionadas com o bem-estar da população, a qualidade de vida e dos serviços públicos, bem como o aspecto socioambiental.

Finalizando as oportunidades acima, a oportunidade dos técnicos, que trabalham na área socioambiental, avaliarem seus projetos não só por números e cálculos complexos, mas também pelo sorriso no rosto das pessoas trabalhadas e pelas oportunidades geradas (saindo da tradicional engenharia tecnológica e evoluindo para a engenharia social). Estes dois últimos aspectos (o sorriso e a oportunidade) valem muito mais do que qualquer cifra milionária!

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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