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Tratamento e Abastecimento de Água - Parte 2 | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Tratamento e Abastecimento de Água - Parte 2
Ecologia
Enviado por Diego de Toledo Lima da Silva   
Qui, 26 de Novembro de 2009 01:14

5. PADRÕES DE POTABILIDADE DA ÁGUA

A Portaria nº 518/04, do Ministério da Saúde, estabelece os padrões de potabilidade da água para consumo humano, sendo que as empresas e órgãos responsáveis pelo saneamento municipal devem realizar determinadas quantidades de análises para atestar que a água distribuída à população está em conformidade com as exigências da Legislação, divulgando estas informações na cobrança de água, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor.

Pela definição da Portaria, água potável é a água para consumo humano cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade e que não ofereça risco à saúde.

tratamento008Constantemente são coletadas amostras dentro da ETA e analisados diversos parâmetros (como turbidez, pH e cor) para a realização do processo de tratamento. Os parâmetros da condição da água tratada distribuída à população, exigidos pela Legislação, também são analisados periodicamente, tanto pela equipe da ETA, como por uma equipe externa da SABESP e pelos órgãos fiscalizadores.

Alguns parâmetros analisados:

5.1. Variáveis Físicas 

5.1.1. Turbidez

É a resistência da água à passagem de luz. É causado por partículas sólidas dissolvidas e em suspensão. A erosão das margens dos rios em estações chuvosas é um exemplo de fenômeno que resulta um aumento da turbidez das águas e que exigem manobras operacionais nas ETAs, com alterações das dosagens de coagulantes. Alta turbidez afeta negativamente os usos domésticos, industrial e recreacional.

Este é  um parâmetro de aspecto estético de aceitação ou rejeição da água. O VMP (Valor Máximo Permitido) de turbidez da água distribuída é  de 5,0 NT.

5.1.2. Odor e Gosto

Não devem ser detectados odor e gosto na água distribuída, sendo recomendada a realização de testes pelas empresas de saneamento.

5.1.3. Cor

A cor da água está associada ao grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá-la, devido à presença de sólidos dissolvidos. Os esgotos sanitários e os efluentes industriais também apresentam matéria em estado coloidal. O VMP é de 15 uH (Unidade Hazen (mg PT_Co/L)).

5.1.4. Sólidos

Em saneamento, sólidos nas águas são toda a matéria que permanece como resíduo após evaporação, secagem ou calcinação da amostra de água. Altos teores de sais minerais, particularmente sulfato e cloreto, estão associados à tendência de corrosão em sistemas de distribuição de água, além de conferir sabor às águas. O VMP para sólidos dissolvidos totais é de 100 mg/L.

5.2. Variáveis Químicas 

5.2.1. Cloro (Cl)

O cloro é  um agente bactericida. É utilizado na desinfecção da água contra microorganismos patogênicos. A água distribuída à população deve conter uma concentração mínima de 0,2 mg/l (miligramas por litro) de cloro residual e recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre, em qualquer ponto do sistema de abastecimento, seja de 2,0 mg/l (miligramas por litro).

5.2.2. pH (Potencial Hidrogeônico)

O pH é  um padrão indireto que influencia as etapas do processo de tratamento e pode causar a corrosão ou incrustação das tubulações de distribuição de água. A faixa recomendada de pH na água distribuída é de 6,0 a 9,5.

5.2.3. Flúor (F)

No estado de São Paulo, o teor ideal de flúor é de 0,7 mg/l (miligramas por litro), podendo variar de 0,6 a 0,8 mg/l (miligramas por litro). A ausência temporária ou a variação de flúor na água não a torna imprópria para consumo.

5.2.4. Alumínio (Al)

Este elemento e seus sais são usados no tratamento da água como coagulante. Na água, o metal pode ocorrer em diferentes formas e é influenciado pelo pH, temperatura e presença de fluoretos, sulfatos, matéria orgânica e outros ligantes. O VMP para o Alumínio é de 0,2 mg/l (miligramas por litro).

5.2.5. Sulfato

A fonte de sulfato ocorre através da dissolução de solos e rochas e pela oxidação de sulfetos. Nas águas tratadas é proveniente do uso de coagulantes. Sua ingestão provoca efeito laxativo. O VMP é de 250 mg/L.

5.2.6. Cloreto

Provoca sabor salgado na água, podendo ser encontrado na forma de cloreto de sódio (NaCl) e cloreto de cálcio (NaCa). O VMP é de 250 mg/L.

5.2.7. Ferro (Fe)

O nível de ferro aumenta nas estações chuvosas, devido ao carreamento dos solos e a ocorrência de processos de erosão das margens. Nas águas tratadas para abastecimento público, o emprego de coagulantes a base de ferro provoca elevação em seu teor. No tratamento de água há a influência da presença de ferro nas etapas de coagulação e floculação. As águas que contêm ferro apresentam cor elevada e turbidez baixa. Os flocos formados são pequenos e com velocidade de sedimentação muito baixa.

Confere cor e sabor à água, além de provocar manchas em roupas e aparelhos sanitários. Não é tóxico para o ser humanoo. Também pode provocar a contaminação biológica da água na própria rede de distribuição, pelo desenvolvimento de depósitos em canalizações e de ferro-bactérias. O VMP para o ferro é de 0,3 mg/L.

5.2.8. Nitratos

São tóxicos, causando uma doença chamada metahemoglobinemia infantil, que é  letal para as crianças. Por isso é considerado padrão de potabilidade e o VMP é 10 mg/L.

5.3. Variáveis Microbiológicas 

5.3.1. Coliformes

São bactérias encontradas nos organismos dos animais, mas também existentes no meio ambiente. São causadoras de diversas doenças ao homem, sendo que, quando há presença destas bactérias na água, estas se encontram contaminadas.

Também são analisados os VMPs para diversos metais, substâncias orgânicas, agrotóxicos e outros elementos, sendo descritos na Portaria quais os padrões estabelecidos.

6. OUTROS MÉTODOS DE TRATAMENTO 

Além do método de tratamento convencional por cloração, existem outros tipos de tratamento utilizados em diversos países do mundo, sendo descritos abaixo.

6.1. Ozônio (O3)

Este método é utilizado em diversas localidades da França e Europa Ocidental, além de algumas localidades da América do Norte.

O ozônio deve ser gerado no local (pois não pode ser transportado e armazenado), mediante um processo relativamente caro que envolve descargas elétricas de 20.000 volts em ar seco. O ar resultante, carregado de ozônio é borbulhado através da água, sendo que 10 minutos de contato são suficientes. Como o tempo de vida do ozônio é pequeno, a água purificada não tem uma proteção residual contra contaminações futuras (no armazenamento e distribuição).

A reação do ozônio em água com bromo leva à formação inconveniente de compostos orgânico, alguns deles tóxicos.

6.2. Luz Ultravioleta (UV)

É usada para desinfetar e purificar a água num processo onde, lâmpadas potentes a vapor de mercúrio, cujos átomos excitados emitem luz UV, com emissão de 254 nm (nanômetros) são imersas no fluxo de água, sendo que 10 segundos são suficientes para eliminar os microorganismos tóxicos.

Uma vantagem desta tecnologia é que podem ser usadas unidades menores (estruturas menores) para atender pequenas populações. Mas seu uso é complicado devido à presença de Ferro (Fe) dissolvido e de substâncias húmicas (ambas absorvem luz), reduzindo a quantidade disponível para a desinfecção.

6.3. Carvão Ativado (carvão vegetal ativado)

É um sólido muito útil para purificar a água de pequenas moléculas orgânicas presentes em baixas concentrações. A sua capacidade é conhecida há muito tempo, sendo que a história demonstra que os antigos egípcios usavam recipientes revestidos com carvão vegetal para armazenar a água que consumiam.

Sua produção é realizada anaerobicamente (na ausência de ar), mediante a queima parcial de materiais com um alto conteúdo em carbono (turfa, madeira, lignita) a temperaturas inferiores a 600 ºC, seguido por um processo de oxidação.

A remoção de contaminantes da água é realizada por um processo de adsorção física, sendo que a característica que faz do carvão ativado um excelente adsorvente é a sua enorme área superficial.

Quando a amostra de carvão ativado esteja próxima da saturação são 3 as alternativas possíveis de destinação:

  • envio ao aterro sanitário;
  • incineração;
  • aquecimento para regenerar a superfície do carvão expulsando os poluentes orgânicos, que podem ser incinerados ou oxidados por catalisadores.

É uma tecnologia cara e ainda pouco utilizada no Brasil.

7. DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA 

Após o processo de tratamento de água há o armazenamento temporário em reservatórios de distribuição. Destas unidades, a água segue por tubulações maiores (adutoras) até entrarem nas redes de distribuição que chegam ao consumidor.

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A água após tratada é enviada para reservatórios para ser distribuída à população.

O consumidor paga pela água que consome, sendo a medição realizada por hidrômetros (individuais ou coletivos).

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Hidrômetro individual.

8. PERDAS NO SISTEMA 

Em diversos trechos de tubulações da rede de distribuição de água podem ocorrer perdas, por vazamentos ou fraudes. A renovação da infraestrutura, das tubulações, as melhorias no sistema de distribuição e o controle das perdas são essenciais para diminuir as perdas globais do sistema de água. Em Joanópolis, a porcentagem de perdas globais no sistema é de 25%.

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

- BAIRD, COLIN – Química Ambiental/Colin Baird; tradução Maria Angeles Lobo Recio; Luiz Carlos Marques Carrera – 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. 622p.

- CBH - PCJ, Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí; IRRIGART - Engenharia e Consultoria em Recursos Hídricos e Meio Ambiente Ltda. “Relatório de Situação dos Recursos Hídricos das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí 2004 – 2006”. Americana. 2007.

- CBH - PCJ, Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Plano de Bacias 2008-2011. Americana. 2008.

- CONSÓRCIO PCJ, Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. "Diagnóstico Regional Informativo – Abastecimento de Água – Diagnóstico dos Municípios - 2007". Americana. 2007.

- SABESP – SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Disponível em: <www.sabesp.com.br>. Acessado em: 02 Novembro 2009.

- SÃO PAULO (estado). DAEE – DEPARTAMENTO DE ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. Relatório de Outorga de Uso dos Recursos Hídricos. Disponível em: <www.daee.sp.gov.br>. Acessado em: 26 Outubro 2009.

- SILVA, DIEGO DE T. L. DA. Artigos Diversos. Estância Turística de Joanópolis. Ecologia. Disponível em: <www.joanopolis.com.br/ecologia.html>. Acessado em: 26 Outubro 2009.

 
Diego de Toledo Lima da Silva
Servidor Público Estadual da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Técnico Ambiental, cursando Engenharia Ambiental. Atualmente reside em Limeira/SP.

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