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20 DE NOVEMBRO - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA | Estância Turística de Joanópolis - SP

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20 DE NOVEMBRO - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
História
Enviado por Valter Cassalho   
Sex, 19 de Novembro de 2010 00:00

As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros, e os negros trouxeram de longe reservas de pranto, os brancos falaram de amor em suas canções, e dessa mistura de vozes nasceu o teu canto (Canta Brasil)

Cada negro trazido veio com sua língua materna, porém ao aprender a língua de seus capatazes levou interpenetrações que podemos constatar lingüisticamente através de alteração de fonemas, modificando-lhe articulações, simplificando a morfologia, reduzindo ou aumentando as flexões dos vocábulos. Nossas mães-pretas e amas-de-leite ensinaram-nos as primeiras palavras, dobrando muitas das vezes as sílabas, criando nossos dodóis, nhonhôs, pipis, cacás, papás, ou acrescentando palavras como caçula, cafuné, moleque, maxixe e samba, quitute, vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, quibebe, farofa, quindim, canjica, caxambu, tanga, miçanga, jongo, lundu, maxixe, macumba (antigo instrumento de percussão), berimbau, cacunda, capenga, calombo, caxumba, banguela.

Nos bons dizeres de Gilberto Freire - "A ama negra fez com as palavras o mesmo que com a comida: machucou-as, tirou-lhes as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas moles. (...) As Antônias ficaram Dondons, Toninhas, Totonhas; as Teresas, Tetés; os Manuéis, Nezinho, Mandus, Manés; os Franciscos, Chico, Chiquinho, Chico" (Casa-grande & Senzala, 1966, p. 356).

Some-se a isso nossas crenças, a passagem do ano com Iemanjá e suas flores no mar, o uso do branco na sexta-feira, o galhinho de arruda na orelha, a contribuição à Umbanda (uma religião brasileira), o Candomblé e outros desdobramentos religiosos. As roupas, o pano da costa, abadás, as baianas, os búzios, o colorido; nas danças o maculelê, o maracatu, o samba, umbigada, lundus, etc. Na comida o vatapá, acarajé, mugunzá, canjicas e muitas comidas de altares dos santos para nossa mesa e vice-versa. A capoeira, a congada, batuques, sambas de roda e por ai vai uma infinidade de coisas espelhadas num leque de assuntos inesgotáveis presentes nesta mistura de povos.

Valter Cassalho

Brasil Mestiço Santuário Da Fé

Clara Nunes

Vem desde o tempo da senzala
Do batuque e da cabala
O som que a todo povo embala
E quanto mais forte o chicote estala
E o povo se encurrala
O som mais forte se propala
E é o samba
E é o ponto de umbanda
E o tambor de Luanda
é o maculelê e o lundu
É o jogo do caxambu
É o cateretê, é o cõco e é o maracatu
O atabaque do caboco, o agogô de afoxé.
É a curimba do batucajé
É a capoeira e o candomblé
É a festa do Brasil mestiço, santuario da fé.
E aos sons a palavra do poeta se juntou
E nasceram as canções e os mais belos poemas de
amor.
Os cantos de guerra e os lamentos de dor
E pro povo não desesperar
Nós não deixaremos de cantar
Pois esse é o único alento do trabalhador
Desde a senzala....

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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