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A gripe espanhola em nossa região
História
Enviado por Valter Cassalho   
Qua, 22 de Julho de 2009 12:43
GRUPO ESCOLAR EM PIRACAIA transformado em hospital durante  o surto de GRIPE ESPANHOLAA mídia tem noticiado a todo instante a questão da Gripe Suína e tem causado certo alarde em nossa região. No entanto, não apenas o Brasil mas o mundo já passou por coisa semelhante e muito pior, que nossos avós e bisavós relatam com o nome de GRIPE ESPANHOLA; que recebeu este nome devido ao grande número de mortos na Espanha e por esta não estar ativamente na PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918) pode noticiar e dar maior atenção aos acontecimentos civis.

O primeiro surto de 1918 apareceu em fevereiro de forma muito contagiosa porém não fatal, com febres e mal estar, no segundo surto em agosto ela foi muito mais forte causando inúmeras mortes numa época onde os antibióticos eram desconhecidos. A tal gripe, também chamada de pneumônica foi causada por uma virulência do vírus Influenza A do subtipo H1N1. A doença foi observada pela primeira vez nos Estados Unidos, em pouquíssimo tempo, principalmente pelo fato da grande guerra e movimento de tropas em portos espalhou-se por toda a Europa e logo em seguida atingiu a Índia, Ásia e a América do Sul, fazendo ao todo segundo estimativas mais de 50 milhões de vítimas.

Nas trincheiras tropas inteiras adoeciam com sintomas de dores de cabeça, febre e falta de ar, em poucos dias, morriam de insuficiência respiratória com os pulmões cheios de líquido. Só para se ter uma idéia morreram mais soldados norte-americanos pela gripe do que pelos combates.

No Brasil ela chega em setembro de 1918 possivelmente através da Missão Médica enviada para ajudar os doentes no porto de Dacar-Senegal (colônia francesa) ou através do navio Demerara, vindo da Europa, em poucos dias haviam sintomas da gripe no Recife, Salvador e Rio de Janeiro. A gripe vitimou nosso presidente eleito para um segundo mandato RODRIGUES ALVES impedindo-o de tomar posse e ainda a grande educadora ANÁLIA FRANCO.

Com a gripe espalhando-se nas grandes cidades e com total desconhecimento de como impedir o contágio e curar os doentes pedia-se que evitassem aglomerações, assim muitos refugiaram-se no interior e com eles a doença chegava as pequenas cidades a na zona rural.

Para curá-la tentaram em vão pitadas de fumo, queima de ervas e incenso para desinfetar o ar, uso de quinino para febres, alhos, compressas, chás, e toda sorte da medicina popular.

Joanópolis e Piracaia foram atingidas tendo suas vítimas e ao mesmo tempo a união de muitos em socorro dos chamados gripentos. Em Piracaia o Coronel Tomaz Cunha conseguiu a construção de um Grupo Escolar em 1914, dado aos inúmeros casos da gripe em 1918 e 1919 todas as aulas foram suspensas e o grupo transformou-se em hospital para atender as vítimas da epidemia, através da ajuda da população foram adquiridos numerosos leitos, organizou-se uma farmácia, contratou-se enfermeiros e os casos mais graves eram transferidos para a capital. Joanópolis também deve seus inúmeros casos, improvisando leitos, isolamentos e muitos sendo tratados nas próprias casas ou fazendas, transferindo para cidades vizinhas numa ocasião precária em transportes.

A gripe espanhola marcou a história mundial fez suas vítimas e destacou pessoas solidárias que não tiveram medo da doença e foram dedicados no auxilio ao próximo e na mobilização de recursos públicos e particulares mais para socorrer os doentes e enterrar os mortos do que para controlar este desconhecido vírus.

Decorrido mais de noventa anos nos debatemos novamente com um novo vírus, porém os tempos são outros e esperamos que o conhecimento do passado evite os erros cometidos naquela época, onde chegou-se mesmo a pensar que o mar seria uma barreira contra o vírus.

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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