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Cachoeira dos Pretos - História | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Cachoeira dos Pretos - História
História
Enviado por Valter Cassalho   
Seg, 25 de Maio de 2009 00:00

cachoeira_dos_pretosO nome Cachoeira dos Pretos traz um caudaloso rio de informações cujas fontes distantes datam dos primórdios do Brasil. Seu ruído ecoa num passado distante de São Paulo de Piratininga, num grupo de homens que tornaram-se os bandeirantes paulistas, orgulho deste Estado.

Foi neste planalto, onde ergueu-se as rústicas cabanas da futura capital paulista, que apareceu no remoto ano de 1574, o português Antonio Preto, o qual desembarcou em São Vicente em 1562. Homem inteligente, fidalgo, foi nomeado Juiz Ordinário da Câmara de São Paulo em 1575 e 1590, foi ainda vereador nos anos de 1577, 1579, 1592 e 1601. Casou-se com uma mameluca da família Antunes, a qual lhe deu quatro filhos homens: José, Manoel, Sebastião e Inocêncio. Teve duas filhas, uma cujo nome desconhecemos a qual casou-se com João Sobrinho, filho de Joaniennes Sobrinho e outra de nome Domingas Antunes nascida em São Vicente em 1566 e falecida em 1624 na qualidade de viuva de Gaspar Fernandes, deixou duas filhas e cinco filhos, sendo um deles Sebastião Fernandes Preto, nascido em 1586.

Assim se formava a descendência de Antonio Preto, contudo a saga familiar recairia sobre seus filhos homens, os quais tornaram-se sertanistas, bandeirantes, desbravadores, povoadores e fizeram suas vidas através da escravização de índios de acordo com os costumes e necessidades da época.

Destes filhos destaca-se MANUEL PRETO, nascido por volta de 1582 considerado um dos maiores sertanistas de todos os tempos. Na segunda expedição bandeirante de 1602 para o interior das Minas Gerais rumo ao Rio das Velhas, o jovem soldado nela ingressou numa jornada de dois longos e sofridos anos. Quando voltou, contraiu matrimonio com dona Agueda Rodrigues, filha de Gonçalo Madeira e Clara Parente, descendente do grande Cacique Tibiriçá sogro de João Ramalho. Em 1615 conseguiu autorização para construir com recursos próprios a Capela de Nossa Senhora da Esperança (Nossa Senhora do Ó) em São Paulo o que foi formalizado por escritura datada de 15 de agosto de 1618. Neste mesmo ano de 1618 Manuel Preto e seu irmão Sebastião Preto reuniram seus homens e dirigiram-se para o Foz do Pirapó afluente do rio Paranapanema a busca de índios para serem vendidos nas capitanias. A aventura desses homens fazia-se por rios e trilhas perigosas. A caça de índios não era tarefa fácil, além de anos de jornada, implicava ainda em guerras constantes não só com autoridades portuguesas e espanholas, mas com tribos inimigas, as quais mataram Sebastião Preto em 1624 na expedição pelo rio Paraná rumo do Rio Grande do Sul.

Sebastião Preto foi comandante da infantaria de São Paulo em 1615 e atuou na caça de índios na região do Guairá, sendo contemporâneo de Raposo Tavares e outros conhecidos bandeirantes. Foi ele com seus índios e homens brancos que conseguiram defender São Vicente do ataque dos holandeses. Com a morte de sua sogra Antonia Gonçalves viuva de Francisco Martins Bonilha em 1616 recebeu avultada herança e deu continuidade as suas expedições rumo ao sul do Brasil até sua morte acima citada.

Em 1629 o já capitão Manuel Preto tornou-se governador das ilhas de Santana e Santa Catarina, continuando o trabalho de expandir divisas e aventurando-se na escravização dos índios, sendo que na expedição de 1630 comunicaram sua morte por flechas inimigas. De seu casamento ficaram os filhos Antonio Preto o qual casou-se em 1632 com Catarina da Ribeira, falecendo no ano seguinte sem deixar filhos. Clara Parente casou-se com Jeronimo Bueno irmão do grande Amador Bueno. Maria Antunes casou-se com Francisco Cubas. Antonia Preto casou-se com Baltazar de Godoy. João Preto faleceu solteiro em combate na expedição de Fernão Dias Paes ao Rio Grande do Sul em 1637. Manuel Preto (o moço) o qual casou-se com Ana Cabral filha de Manuel Costa Cabral e Francisca Cardoso.

O sangue de desbravador continuava a correr pelas veias da família Preto, agora era Manuel Preto - o moço, que herdava a sina de bandeirante e iniciava suas aventuras pelas selvas brasileiras, todavia herdou a mesma sina de seu pai e seus tios, tombou em combate em junho de 1637 no Vale do Rio Taquari, deixando os órfãos Manuel (03 anos), Agueda (02 anos), João (01 ano) e Francisca (08 meses).

Com a morte dos filhos e netos bandeirantes do português Antonio Preto, parecia que a família iria serenar, pois sobraram apenas os filhos José o qual foi residir em Mogi e Inocêncio Preto que tornou-se o único a residir em São Paulo.

Inocêncio Preto homem respeitável de seu tempo, casado com Maria Moreira veio a falecer em 1647, deixando entre sua prole Antonio Preto que desapareceu no Sertão, Pedro Moreira com 21 anos, Sebastião Preto Moreira com 20 anos (o qual mais tarde casou-se com Mariana Bueno, filha caçula do grande Amador Bueno) e Inácio Preto o qual contraiu matrimonio com dona Catarina Dorta e que deu origem a numerosa prole que vieram habitar a região de Nazaré, Atibaia, Piracaia, Itatiba e Bragança em meados do século XVII.

Os filhos de Manuel Preto o moço, cresceram e um deles Manuel Preto Rodrigues passou a residir na região de Jundiaí, tornou-se capitão e voltou a refazer em 1656 os caminhos de seu avô, pai e tios rumo a região sul brasileira. Retornou a Jundiaí, casou-se com Francisca Siqueira de Moraes, filha de Antonio Leme do Prado e Leonor de Siqueira Baruel. Este ramo familiar iniciou novas investidas e expedições, agora rumo a região das Minas Gerais, não mais a caça ao índio, mas sim a descoberta de jazidas de ouro, obtendo sucesso e criando novas povoações na região de Mariana e Vila Rica.

Com a decadência da mineração voltaram para o Vale do Paraíba, trazendo um novo herdeiro com o mesmo nome de seus ancestrais, o então alferes Manuel Rodrigues Preto, filho de Inácio Agostinho Preto e Rita Pinheiro Cardoso, nasceu em São Gonçalo filial de Campanha do Rio Verde, casou-se aos vinte e seis anos de idade em 1787, com Maria Escolástica de Ornellas filha de Cabral de Ornellas e Maria da Silva de Santa Maria, residia no bairro da Cachoeira (hoje Piracaia) da então freguesia de Nazaré Paulista, enviuvou em 1788 casou-se em segunda núpcias com Maria Cardoso de Oliveira, filha de Miguel de Pontes e Domingas Cardoso, tornou a enviuvar em 1813, casou-se pela terceira vez com Maria Gomes, por fim faleceu em terras de Piracaia em 1818.

Do primeiro casamento do alferes nasceu Maria Escolástica de Ornellas (filha) a qual casou-se em 1804 com Joaquim Mariano Fróes da família Rodrigues Fróes detentores das minas de Paracatu; desta Maria Escolástica nasceu outra descendente de mesmo nome que casou-se com Luiz Antonio Figueiredo um dos fundadores da Vila de São João do Curralinho.

Do segundo casamento do alferes Manuel Rodrigues Preto, nasceu Pedro Rodrigues de Oliveira, conhecido como nhonhô Preto que faleceu em Piracaia em 1857 aos cinqüenta e cinco anos de idade. Esta família era residente no bairro do Curralinho nas proximidades de uma grande Cachoeira. Este nhonho Preto deu nome ao bairro, a cachoeira e sobrenome a inúmeros descendentes que até hoje vivem em nossa região.

O nome Cachoeira dos Pretos, evoca muito mais do que se pensa, seu ruído alternado pelo vento são ecos distantes de uma família que teve a saga de desbravadores e expandidores desse imenso Brasil que poucos conhecem.

(dados extraídos do livro Manuel Preto - herói de Guairá - Victor Azevedo - doação de Ginca Baptista)

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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