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História
Enviado por Valter Cassalho   
Seg, 19 de Abril de 2010 00:00

indiaO NHENHENHÉM DA NOSSA CULTURA RAIZ

A maior parte do litoral do Nordeste até o rio do Prata (Uruguai e Argentina) era ocupada por populações indígenas do tronco tupi (São Paulo até o Maranhão) e guarani (Paraná até o norte da Argentina) falando línguas aparentadas (como são o espanhol e o português) e suas culturas eram bastante parecidas, porém não eram idênticas.

De acordo com Luiz Caldas Tibiriçá ao contrário do que se pensa, não existe um idioma tupi, mas vários dialetos que trazem este nome, estando hoje o tupi dividindo em três partes, o tupi antigo, o tupi do século XVIII já adaptado com senso europeu e falado pelos bandeirantes e mamelucos e o tupi moderno ou neo-tupi vivo ainda e falado em algumas regiões do Brasil.

Outro erro comumente cometido é falar em língua tupi-guarani, sendo que este termo aplica-se ao tronco étnico e não lingüístico. O tupi não deriva do guarani e vice-serva, cada um tem sua existência própria dentro do conjunto dos povos sul-americanos e como qualquer língua ela passa por processos de mudanças, pois toda língua é dinâmica e não estática. Assim, somente para se ter uma idéia a palavra Anhangá era o espírito protetor das matas e animais e Tupã o trovão e o raio e Caraíba era o estrangeiro mau, com a convivência com os jesuítas e o homem branco associaram tais palavras dentro da cultura européia, assim Anhangá passou a representar o diabo e Tupã pela sua força passou a ser Deus, criando para o índio o dualismo judaico-cristão do bem e mal e caraíba passou a ser designativo do europeu ou homem branco.

indios01Outra coisa que precisamos levar em conta é que no tupi não existem os sons (fonemas) para as letra d, f, l, v, z e no guarani fonemas para as letras b, d, f, l, z. Assim conclui o já referido Luiz Caldas Tibiriçá em seu dicionário Guarani Português que: "O próprio linguajar do caipira paulista, denuncia forte influência guaranítica, não só pela sua inflexão de voz gutural, mas pelos inúmeros termos persistentes em seu vocabulário: tipóia, tocaia, tacuruva, nambivu, carapina, pururuca, tiririca, pamonha, etc. bem como verbos aportuguesados: cuarar, capinar, moquear, pererecar, pipocar, cutucar, etc". Dado a essas ausências fonéticas, o povo caipira que se formou na interior paulista, sul de minas e algumas áreas litorâneas, carrega suas pronuncias em "erres" e troca o "L" pelo "r" e "lh" pelo "i " até hoje (muié, foia, passar mar, barde, dia de sor, etc).

A necessidade de se comunicar fez com que os portugueses aprendessem a língua dos nativos, dos chamados negros da terra, os padres Anchieta e Luis Figueira organizaram uma gramática tupi, sendo que Kaká Werá Jacupé, afirma "assim nasceu o NHEENGATU, que significa "língua boa"uma espécie de esperanto indígena baseado na cultura tupi". O nheengatu era tão comum que era mais falado do que o português na região de São Paulo, e quase que o Brasil unifica-se em torno dela, mas em 1757 a Corte Portuguesa proibiu o ensino e seu uso público, sendo obrigatória a língua portuguesa.

Nesta época vieram grandes levas de mulheres de Portugal para se casarem no Brasil, branqueando a raça e mantendo a cultura européia. Uma cultura tupi unificada pela língua e entre os mamelucos poderia levar a um culto nacionalista capaz de romper com rapidez os laços com a metrópole lusa.

Bem, aqui dá para se ter uma pequena idéia do nosso modo de falar, e quando estamos falando em demasia, dá para se dizer na boa língua indígena, chega de nhenhenhém.

Quem era quem nesta história?

Tupiniquins - foram os índios vistos por Cabral. Viviam no Sul da Bahia, São Paulo e Santos, eram cerca de 80 mil.

Temiminós - presentes no sul do Espírito Santo, Guanabara, Ilha do Governador, litoral paulista, aliados dos portugueses, foram liderados por Araribóia na defesa do Rio de Janeiro, eram em torno de 20 mil.

Tamoios - (os mais antigos - os avós dos tupis) aliados dos franceses e inimigos dos portugueses, dominavam a Guanabara, regiões de São Paulo e Minas. Tiveram famosos caciques como Aimberê e Cunhambebe. Eram canibais, grandes guerreiros, compunham cerca de 70 mil e lutaram até a morte contra seus inimigos; foram todos dizimados. Segundo Teodoro Sampaio, cobriam-se de penas de cores variadas, umas inteiras, outras picadas miúdo, aderentes ao corpo por meio de resina ou goma.

Guarulhos - não eram canibais, acreditavam na transmigração da alma do falecido para um outro ser, elegiam seu próprio chefe, usavam pinturas e tatuagens.

Nomes Tupi:

Aba - cabelo
Abaeté - homem de respeito
Andirá - morcego
Anga - alma
Akanga - cabeça
Araçatuba - araçá-doce
Atibaia - água agradável ao paladar.
Bagé - sozinho
Bariri - água agitada
Bartira - flor
Bauru - cesto de frutas
Birigui - mosquito
Bocaiuva - palmeira
Boitatá - cobra de fogo.
Botucatu - bons ares.
Buriti - arvore da vida
Cabuçu - vespa grande
Caeté - mata verdadeira
Caetete - mata muito densa
Caiuá - morador do mato
Cairu - árvore de folha escura.
Caiubi - folhas azuis
Cajuru - boca do mato
Cambuquira - planta brotada
Carijó - descendente de branco
Carioca - casa de branco.
Caxangá - mato estendido
Caçapava - travessia no mato
Cambuci - vaso de água
Capivari - rio das capivaras
Caraguatatuba - mato de gravatás
Cuiabá - farinheiro
Embé - lábios
Guaíba - água da baía
Guaicuru - veloz corredor
Guaporé - cachoeira no campo
Guaraci - o criador, o sol
Guaraciaba - cabelos de sol.
Guarapari - garça vermelha
Guarapiranga - guará-vermelho
Guarapuava - rumor de pássaros
Guararapes - estrondo dos tambores
Guaratinguetá - garças brancas
Guarujá - viveiro dos guarús
Guarulhos - barrigudos, comedores.
Guaxupé - abelha negra.
I - rio
Iba - fruta
Iguaçu - água grande
Iguapé - seio d'agua
Iguatu - água boa
Iké - aqui
Ipiranga - água avermelhada
Ipi - olho d'água
Iraci - mãe do mel.
Irai - rio do mel.
Irapuã - abelha redonda
Ita - pedra
Itaúna - pedra preta
Itabira - pedra empinada
Itaboca - pedra rachada
Itaboraí - rio da pedra bonita
Itacoatiara - pedra pintada
Itacolomi - a pedra grande com a pequena
Itaguaí - pedra furada
Itaipava - parede de pedra
Itaipu - água que nasce da pedra.
Itajaí - cheio de pedras
Itajuba - pedra de ouro
Itamarati - água entre pedras soltas
Itambé - pedra afiada
Itaoca - fortaleza de pedra
Itaparica - cercado de pedra
Itapecerica - pedra lisa
Itapemirim - pedra pequena
Itapetininga - passagem a raso.
Itapeva - pedra chata
Itapira - pedra pontiaguda
Itapoã - pedra redonda
Itaporanga - pedra bonita
Itatiba - muitas pedras
Itatinga - pedra branca
Itaú - pedra preta.
Itu - cachoeira
Itupeva - cachoeira pequena
Iuba - amarelo
Jacareí - rio dos jacarés.
Jaguariuna - Rio das onças pretas
Jaguary - rio das onças.
Jundiaí - alagadiço com folhagens
Juraci - concha, mãe das ostras
Jurandir - o o que foi trazido pela luz do céu.
Jurema - espinheiro suculento.
Karaiba - homem branco
Karuma - tarde
Kyá - sujo
Kyrá - verde
Koema - manhã
Kunhã - mulher
Kurumi - menino
Maceió - alado, com asas.
Mairiporã - aldeia pitoresca.
Manhuaçu - chuva copiosa
Mantiqueira - a chuva goteja, a água verte.
Maranhão - mar grande
Mauá - coisa elevada, alta
Moema - mentira
Mogi-mirim - pequeno rio das cobras.
Mooca - pouso, rancho.
Oka - casa
Pacaembu - arroio de pacas
Paraibuna - rio ruim e fundo.
Paraitinga - rio ruim e branco.
Paranaiba - rio ruim e grande.
Parati - mar branco.
Peba - chato
Pereba - ferida
Peró - português
Pindoba - palmeira
Pinima - pintado
Piracaia - cardume de peixes ou peixe queimado.
Pirajá - viveiro de peixes.
Piraju - peixe dourado
Pirapora - peixe que salta
Piratini - peixe seco.
Pitangui - rio das crianças
Poá - riacho alto.
Poranga - bonito
Potira - flor
Sapucaí - rio dos galos
Tabajara - senhor da aldeia

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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