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O NHENHENHÉM DA NOSSA CULTURA RAIZ
A maior parte do litoral do Nordeste até o rio do Prata (Uruguai e Argentina) era ocupada por populações indígenas do tronco tupi (São Paulo até o Maranhão) e guarani (Paraná até o norte da Argentina) falando línguas aparentadas (como são o espanhol e o português) e suas culturas eram bastante parecidas, porém não eram idênticas.
De acordo com Luiz Caldas Tibiriçá ao contrário do que se pensa, não existe um idioma tupi, mas vários dialetos que trazem este nome, estando hoje o tupi dividindo em três partes, o tupi antigo, o tupi do século XVIII já adaptado com senso europeu e falado pelos bandeirantes e mamelucos e o tupi moderno ou neo-tupi vivo ainda e falado em algumas regiões do Brasil.
Outro erro comumente cometido é falar em língua tupi-guarani, sendo que este termo aplica-se ao tronco étnico e não lingüístico. O tupi não deriva do guarani e vice-serva, cada um tem sua existência própria dentro do conjunto dos povos sul-americanos e como qualquer língua ela passa por processos de mudanças, pois toda língua é dinâmica e não estática. Assim, somente para se ter uma idéia a palavra Anhangá era o espírito protetor das matas e animais e Tupã o trovão e o raio e Caraíba era o estrangeiro mau, com a convivência com os jesuítas e o homem branco associaram tais palavras dentro da cultura européia, assim Anhangá passou a representar o diabo e Tupã pela sua força passou a ser Deus, criando para o índio o dualismo judaico-cristão do bem e mal e caraíba passou a ser designativo do europeu ou homem branco.
Outra coisa que precisamos levar em conta é que no tupi não existem os sons (fonemas) para as letra d, f, l, v, z e no guarani fonemas para as letras b, d, f, l, z. Assim conclui o já referido Luiz Caldas Tibiriçá em seu dicionário Guarani Português que: "O próprio linguajar do caipira paulista, denuncia forte influência guaranítica, não só pela sua inflexão de voz gutural, mas pelos inúmeros termos persistentes em seu vocabulário: tipóia, tocaia, tacuruva, nambivu, carapina, pururuca, tiririca, pamonha, etc. bem como verbos aportuguesados: cuarar, capinar, moquear, pererecar, pipocar, cutucar, etc". Dado a essas ausências fonéticas, o povo caipira que se formou na interior paulista, sul de minas e algumas áreas litorâneas, carrega suas pronuncias em "erres" e troca o "L" pelo "r" e "lh" pelo "i " até hoje (muié, foia, passar mar, barde, dia de sor, etc).
A necessidade de se comunicar fez com que os portugueses aprendessem a língua dos nativos, dos chamados negros da terra, os padres Anchieta e Luis Figueira organizaram uma gramática tupi, sendo que Kaká Werá Jacupé, afirma "assim nasceu o NHEENGATU, que significa "língua boa"uma espécie de esperanto indígena baseado na cultura tupi". O nheengatu era tão comum que era mais falado do que o português na região de São Paulo, e quase que o Brasil unifica-se em torno dela, mas em 1757 a Corte Portuguesa proibiu o ensino e seu uso público, sendo obrigatória a língua portuguesa.
Nesta época vieram grandes levas de mulheres de Portugal para se casarem no Brasil, branqueando a raça e mantendo a cultura européia. Uma cultura tupi unificada pela língua e entre os mamelucos poderia levar a um culto nacionalista capaz de romper com rapidez os laços com a metrópole lusa.
Bem, aqui dá para se ter uma pequena idéia do nosso modo de falar, e quando estamos falando em demasia, dá para se dizer na boa língua indígena, chega de nhenhenhém.
Quem era quem nesta história?
Tupiniquins - foram os índios vistos por Cabral. Viviam no Sul da Bahia, São Paulo e Santos, eram cerca de 80 mil.
Temiminós - presentes no sul do Espírito Santo, Guanabara, Ilha do Governador, litoral paulista, aliados dos portugueses, foram liderados por Araribóia na defesa do Rio de Janeiro, eram em torno de 20 mil.
Tamoios - (os mais antigos - os avós dos tupis) aliados dos franceses e inimigos dos portugueses, dominavam a Guanabara, regiões de São Paulo e Minas. Tiveram famosos caciques como Aimberê e Cunhambebe. Eram canibais, grandes guerreiros, compunham cerca de 70 mil e lutaram até a morte contra seus inimigos; foram todos dizimados. Segundo Teodoro Sampaio, cobriam-se de penas de cores variadas, umas inteiras, outras picadas miúdo, aderentes ao corpo por meio de resina ou goma.
Guarulhos - não eram canibais, acreditavam na transmigração da alma do falecido para um outro ser, elegiam seu próprio chefe, usavam pinturas e tatuagens.
Nomes Tupi:
Aba - cabelo Abaeté - homem de respeito Andirá - morcego Anga - alma Akanga - cabeça Araçatuba - araçá-doce Atibaia - água agradável ao paladar. Bagé - sozinho Bariri - água agitada Bartira - flor Bauru - cesto de frutas Birigui - mosquito Bocaiuva - palmeira Boitatá - cobra de fogo. Botucatu - bons ares. Buriti - arvore da vida Cabuçu - vespa grande Caeté - mata verdadeira Caetete - mata muito densa Caiuá - morador do mato Cairu - árvore de folha escura. Caiubi - folhas azuis Cajuru - boca do mato Cambuquira - planta brotada Carijó - descendente de branco Carioca - casa de branco. Caxangá - mato estendido Caçapava - travessia no mato Cambuci - vaso de água Capivari - rio das capivaras Caraguatatuba - mato de gravatás Cuiabá - farinheiro Embé - lábios Guaíba - água da baía Guaicuru - veloz corredor Guaporé - cachoeira no campo Guaraci - o criador, o sol Guaraciaba - cabelos de sol. Guarapari - garça vermelha Guarapiranga - guará-vermelho Guarapuava - rumor de pássaros Guararapes - estrondo dos tambores Guaratinguetá - garças brancas Guarujá - viveiro dos guarús Guarulhos - barrigudos, comedores. Guaxupé - abelha negra. I - rio Iba - fruta Iguaçu - água grande Iguapé - seio d'agua Iguatu - água boa Iké - aqui Ipiranga - água avermelhada Ipi - olho d'água Iraci - mãe do mel. Irai - rio do mel. Irapuã - abelha redonda Ita - pedra Itaúna - pedra preta Itabira - pedra empinada Itaboca - pedra rachada Itaboraí - rio da pedra bonita Itacoatiara - pedra pintada Itacolomi - a pedra grande com a pequena Itaguaí - pedra furada Itaipava - parede de pedra Itaipu - água que nasce da pedra. Itajaí - cheio de pedras Itajuba - pedra de ouro Itamarati - água entre pedras soltas Itambé - pedra afiada Itaoca - fortaleza de pedra Itaparica - cercado de pedra Itapecerica - pedra lisa Itapemirim - pedra pequena Itapetininga - passagem a raso. Itapeva - pedra chata Itapira - pedra pontiaguda Itapoã - pedra redonda Itaporanga - pedra bonita Itatiba - muitas pedras Itatinga - pedra branca Itaú - pedra preta. Itu - cachoeira Itupeva - cachoeira pequena Iuba - amarelo Jacareí - rio dos jacarés. Jaguariuna - Rio das onças pretas Jaguary - rio das onças. Jundiaí - alagadiço com folhagens Juraci - concha, mãe das ostras Jurandir - o o que foi trazido pela luz do céu. Jurema - espinheiro suculento. Karaiba - homem branco Karuma - tarde Kyá - sujo Kyrá - verde Koema - manhã Kunhã - mulher Kurumi - menino Maceió - alado, com asas. Mairiporã - aldeia pitoresca. Manhuaçu - chuva copiosa Mantiqueira - a chuva goteja, a água verte. Maranhão - mar grande Mauá - coisa elevada, alta Moema - mentira Mogi-mirim - pequeno rio das cobras. Mooca - pouso, rancho. Oka - casa Pacaembu - arroio de pacas Paraibuna - rio ruim e fundo. Paraitinga - rio ruim e branco. Paranaiba - rio ruim e grande. Parati - mar branco. Peba - chato Pereba - ferida Peró - português Pindoba - palmeira Pinima - pintado Piracaia - cardume de peixes ou peixe queimado. Pirajá - viveiro de peixes. Piraju - peixe dourado Pirapora - peixe que salta Piratini - peixe seco. Pitangui - rio das crianças Poá - riacho alto. Poranga - bonito Potira - flor Sapucaí - rio dos galos Tabajara - senhor da aldeia |