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Riquezas Caipiras | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Riquezas Caipiras
História
Enviado por Valter Cassalho   
Seg, 11 de Maio de 2009 00:00

caipiraDeterminadas coisas somente existem nas cidades pequenas do interior. Primeiramente, numa cidade pequena, nenhum visitante pode se atrever a criticar alguém, pois corre o sério risco de estar criticando um parente, pois em cidades pequenas os primos (de todos os graus), compadres e tios são uma infinidade.

Além disso, não se consegue fazer nada apressadamente quando se está a pé, pois todos se conhecem e nada melhor do que uma boa esquina ou calçada para se bater um papo. Andar apressado é algo estranho para as pequenas cidades e passar sem cumprimentar, causa ainda mais estranheza. Estas são pequenas riquezas na cultura caipira, que dá a cidade um ar aconchegante de moradia, onde o individualismo ainda não se faz presente.

Mas, se estas são pequenas riquezas, quais seriam as grandes? Ora, nada melhor do que uma visita a uma casa cabocla, onde neste calor você toma uma água geladinha vinda da mina ou do poço numa caneca esmaltada, depois é só aguardar aquele café passado na hora. Quer mais? Que tal sentar-se debaixo de uma árvore e ficar na sombra vendo o tempo passar, somente ouvindo pássaros e o burburinho das águas. Stress, o que é isso? Diferença na conta bancária, caixa eletrônico, filas, celular tocando, trânsito, pneu furado, assalto? Nem pensar...

Depois de dar uma boa espreguiçada é dirigir-se até a venda mais próxima, sentar-se tranqüilamente na porta da mesma e ficar tomando uma cerveja ou uma boa pinga e ficar durante horas ouvindo umas boas histórias do bairro e dos antigos.

Eta tá preguiça boa! Poeira pela estrada, uns causos daqui, outro dali, uma cerveja, uma porção de mortadela temperada com limão, uma espiada na estrada e mais uma cerveja.

Ah! Mas pode ser um dia chuvoso!. E daí? No dia chuvoso é sentar na taipa de um fogão a lenha, assar pinhão ou amendoim e contar e ouvir histórias de assombração ou de caçada, sendo estas últimas acompanhadas de anedotas e mentiras das mais cabeludas possíveis. Política? Isso é lá em Brasília. Argentina, Bin Laden, vírus de computador, moda, bolsa de valores? Isto é coisa de São Paulo. O negócio aqui é relaxar, pescar a tardinha e fritar lambaris (bem torradinhas), jogar uma cacheta ou truco, fazer um franguinho com arroz ou polenta e deixar o dia passar.

Como dizia o bom Jeca: -Não paga a pena! Este sim era feliz e não sabia. Enrolava um cigarrinho de palha e de lambuja tirava umas modas da viola guardada no fundo da venda e as modas do fundo do baú é claro!

Globalização (ou americanização)? Impossível, globalizar o caipira pra quê? Seria possível globalizar estas riquezas, este mundão véio sem porteira? De jeito maneira, a cultura caipira é nossa, sossegada, tranqüila e benfazeja. Ela é tão rica, que muita coisa passa despercebido do homem moderno, o qual já perdeu a sensibilidade para uma infinidade de riquezas desta civilização caipira, onde o tempo ainda se mede por manhã, tarde e noite, tempo das águas e da seca e outras liberdades mais. Eta tá mundão bão, meu Sinhô!

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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