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Simbolismos da Festa de São João de Joanópolis | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Simbolismos da Festa de São João de Joanópolis
História
Enviado por Valter Cassalho   
Sex, 19 de Junho de 2009 13:13
OS ROJÕES - bombas e outros instrumentos ruidosos, tem por origem lendas de dragões que assombravam o oriente ou maus espíritos que circulavam por determinados locais, tais ruídos ou estouros, tinham por objetivo afugentar os maus espíritos ou o dragão que poderia devorar a lua ou o sol. Graças a Marco Pólo a pólvora passou a ser usada no ocidente, por volta do século XIV. Hoje os rojões ou foguetes são utilizados para demonstrar alegria ou avisar os acontecimentos festivos.

A FOGUEIRA, sempre foi o símbolo da reunião; os assuntos mais relevantes eram contados em torno da fogueira. Os gauleses as acendiam como o prenuncio de estações e como rituais purificadores dos campos, o sentido purificador das mesmas está presente em quase todas as culturas mundiais. Quanto acende-las no mês de junho, tem por origem a lenda do nascimento de São João Batista, na qual sua mãe Santa Isabel pactuou com Maria, que a qual desse a luz primeiro levantaria um mastro para avisar. Quando João Batista nasceu Isabel pediu a Joaquim que erguesse um mastro em frente a sua casa, mas, temendo que Maria não o visse dado ao anoitecer, pediu que se acendesse uma fogueira. Desta forma os mastros e as fogueiras juninas são para anunciar o nascimento de João Batista.

O MASTRO - alguns o têm como símbolo fálico herdado de antigas tradições pagãs de fecundação da terra. Na festa de São João simboliza o aviso do Nascimento de João Batista, o erguimento do mastro anuncia o inicio das festividades.

OS BALÕES - antigamente subiam aos céus com bandeiras dos santos estampados, como a mostrar sua ascensão ou como um pedido dos fiéis.

AS BANDEIRINHAS - seu colorido e simboliza a alegria, pois São João é um dos poucos santos que se comemora o natalício e não sua morte, pois ele representa a alegria, o anuncio da boa nova, o preparo do caminho para o tão esperado Messias.

A CONGADA- Oriunda do sincretismo afro-português adota como padroeiro São Benedito, Nossa Senhora do Rosario, Santa Ifigenia ou Nossa Senhora Aparecida, criando uma confraria dirigida pelo rei do Congo. Os guizos representam as armaduras, as fitas os galardões, os chapéus os elmos de guerra, a espada representa a fidelidade e a coragem. A dramatização é cantada de forma chorosa, acompanhada de violas e batuques, possuindo um rei, uma rainha, uma porta estandarte, um general, cantores e guerreiros, os quais dividem-se em duas alas (cristãos e mouros).

O MOÇAMBIQUE - muito próximo da Congada, remonta da antiga dança guerreira moura, semelhante a dança pauliteira de Miranda em Portugal. E' uma dança para São Benedito, acompanhada por reco-reco, tarol (caixinha de guerra), rabeca, tamborins, pandeiros e violas; são chamadas de Escada de São Benedito e Estrela da Guia.

O CAIAPÓ - surgiu da imitação dos índios caiapós do sul (cabeceira do Araguaia e bacia superior Paraná), é uma dança dramática liderada pelo cacique Tuxaua-pajé e por um curumi (menino), acompanhadas por instrumentos de percussão e sopro. Em nossa região, a dramatização gira em torno da doença do curumi e a sua cura pelo pajé através de rituais de pajelança, utilizando-se de pólvora e gestos ritualísticos.

A QUADRILHA - Era dança palaciana o século XIX, oriunda da Europa, dividida em cinco partes, com referencias protocolares e um marcador. Popularizou-se muito no Brasil, a ponto de enraizar-se no mundo rural dando origem a quadrilha-caipira, a qual é um símbolo das festas juninas e ponto marcante da representação do nosso caipira, quer seja pelas roupas ou modos empregados.

CAPOEIRA - A origem da capoeira é contravertida, o nome capoeira vem do tupi caapuera e significa vegetação rala, local provavelmente para onde fugiam os negros escravos trazidos para o Brasil desde o século XVI. Era lá na caapuera que muitos brancos foram emboscados ou expulsos e voltaram contando horrores e estórias dos negros da caapuera com seus golpes fatais. Esta dança e jogo é objeto de discussão entre diversos estudiosos, uns afirmam que ela é brasileira, desenvolvida nas senzalas através de antigas danças africanas, outros acreditam que ela foi introduzida aqui através dos negros de Angola.

MACULELÊ - Em muitas apresentações de capoeira em nossa região, juntamente com puxadas de rede e jogo de navalhas, tem se apresentado o Maculelê. Entre seus cânticos, roupas em ráfias e batidas do atabaque, apresentam uma dança dinâmica com bastões, também chamada de dança dos porretes, segundo alguns é remanescente dos antigos índios cucumbis, segundo outros sua origem é africana, praticada pelos escravos no meio dos canaviais com cepos de cana nas mãos, mesclando-se com danças indígenas do Brasil. O Maculelê veio da África e tem sua origem num ataque realizado por tribos inimigas a aldeia onde estavam apenas algumas mulheres e poucos homens, devido a saída dos guerreiros para a caça. Foi aí que armado de porretes o negro de nome Maculelê lutou com muito heroísmo conseguindo defender a tribo e afugentar os inimigos. Desta forma o Maculelê é uma homenagem à bravura desses negros e do guerreiro que empresta seu nome a essa dança dramática.

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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