Foi num sábado, as 11:20h da manhã, no Rio de Janeiro, no dia 21 de abril de 1792, subia ao patíbulo, vestido de serapilheira alva, um homem de cabelos raspados e barba feita, sentiu a grossa e áspera corda circundar seu magro pescoço e em seguida um abraço forte do carrasco, que se agarrou a ele para facilitar o estrangulamento, em seguida um tranco, o corpo agonizou alguns segundos e pronto, havia-se consumado a morte de Joaquim José da Silva Xavier.
E em seguida o corpo foi para uma casa onde foi posto em cima de uma mesa, sendo decapitado e esquartejado, os pedaços foram postos em bolsas de couro com sal e mais tarde foram espalhados pela estrada que ligava Rio de Janeiro a Ouro Preto.
Herói ou vilão, heroísmo mítico ou real? Não importa. A maior lição que este homem deixou, foi sua ousadia em sonhar com a liberdade, em não aceitar as coisas como eram postas, em não concordar com o autoritarismo e mandonismo dos homens da sua época. Agremiou-se entre homens poderosos que ansiavam a liberdade da nação, enamorou-se pelos Iluministas e sua luta intelectual contra a autoridade centralizadora. Era um homem do povo, um visionário, um desses que preferiu sonhar acordado do que viver dormindo. E ele sabia que para defender o seu direito de expressão de pensamento, seu direito de criticar, de denunciar, de contrariar, de exigir, teria que lutar muito, assim como outros lutaram e deram seu sangue para que a democracia prevalecesse.
No Brasil foram séculos de lutas e de conquistas para chegarmos na Constituição de 1988, cujo artigo V, foi lavado em sangue de muitos brasileiros, quer sejam do Brasil Colônia, quer sejam dos anos de chumbo da Ditadura de 64. Não foram apenas dez vidas, mas centenas que ergueram a voz e perderam a garganta e milhares que apoiaram a luta e foram massacrados.
Apesar de tudo, num País de constituição democrática, vejo pessoas que são torturadas pela necessidade de seu trabalho e pela pressão dos patrões públicos, outras são violentadas pelos mandos e desmandos dos pseudo-donos do poder. Outros, como Judas Iscariotes, ignorando os direitos e deveres de cidadão, se vendem por trinta dinheiros, crucificando a própria consciência e o seu direito inalienável de manifestar seu pensamento.
Há ainda aqueles que são enforcados e sufocados, pelas pressões políticas quando deixam de concordar com a cartilha de obediência cega dos alcaides.
Mais de duzentos anos se passaram e nós ainda continuamos a sonhar com a liberdade, com as garantias constituídas respeitadas e um País justo onde a lei se faça presente de forma cega e soberana.
Será que o sangue de tantos ainda não foi necessário para conseguirmos nossos ideais, para mudar a consciência daqueles que se acham os donos da coisa pública, daqueles que não respeitam a tradição herdada de Atenas, ou seja, o direito de nos reunirmos para discutirmos, questionarmos e opinarmos sobre a política?
A Inconfidência tida como crime de lesa-majestade, hoje possui a conotação de luta contra aqueles que querem lesar nossa consciência, nossos direitos e principalmente nossa democracia. Esses homens que se esqueceram do que é patriotismo, do que é coisa-pública, dos compromissos assumidos para com o povo e para com a Nação, lesam vergonhosamente a Soberania Brasil. Neste meio encontramos diversos Joaquins Silvério dos Reis, que traem por medo, por pressão ou por interesses a causa de um Brasil democrático.
Os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade ecoam ainda nas sendas da Verdadeira Maçonaria, aquela mesma que sob um triângulo vermelho fez o levante mineiro, cuja Loja o próprio Tiradentes fazia parte, e esta por sua vez ainda não esqueceu os seus sagrados compromissos para com o mundo.
Portanto, quando vemos um triângulo vermelho tremulando na bandeira de Minas Gerais, lembramos que nele está escrito: Libertas quae sera tamem - ou seja, LIBERDADE AINDA QUE TARDIA. Que seja esta a nossa bandeira para este século! |