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Bananada em Joanópolis | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Bananada em Joanópolis
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Enviado por Valter Cassalho   
Sex, 17 de Dezembro de 2010 17:37
bananaDepois de toda a BANANADA desta semana em Joanópolis, quando um sujeito chamado de homem do sítio das bananas, e que fez muitos comerciantes "plantarem bananeira" isso mesmo, plantar bananeira - virar de cabeça pra baixo, não poderia eu deixar de falar de BANANAS. Existem BANANAS & BANANAS, ou seja aquelas pessoas que chamamos de Bananas e os BANANAS DA TERRA, gente que é da terra mesmo, de verdade, patrimônio local, aqui nascido e que merece nossos respeitos, mas infelizmente tem alguns que logo que vêem um cacho já se penduram.

Fico até meio EMBANANADO, ou seja atrapalhado para falar a respeito, tanto foram os comentários deste sujeito do dito SITIO DAS BANANAS e fez tantas BANANADAS por aí, cujas compras não foram a PREÇO DE BANANAS! Já tinha autoridade fazendo projetos para mudar o nome da cidade para BANANÓPOLIS. Mas entre bananas e macacos minha função é falar das ditas BANANAS.

Lembro que na escola sempre aprendi que as BANANAS que até enfeitaram a cabeça do meu ídolo Carmem Miranda era um símbolo nacional, já dizia a música YES, NÓS TEMOS BANANAS! Tempo depois me decepcionei ao saber que as BANANAS não eram de origem brasileira e a Carmem era portuguesa. Mas superei o trauma da escola, afinal a Carmem Miranda tornou-se a maior das brasileiras e a BANANA ficou nossa. Dei uma BANANA aos críticos e puristas nacionais.

Verdade seja dita, a BANANA que tem origem nas línguas africanas serra-leonesa e liberiana foi incorporada a nossa belíssima língua portuguesa e ficou nossa, ela é verde e amarela e está por todo lado e até a exportamos, quer nos portos, quer nos shows tropicais. A origem da bananeira se perde em mitologias indianas, meso-orientais e africanas, possivelmente veio do sul da China ou da Indochina, há referências da sua presença na Índia, na Malásia e nas Filipinas, onde tem sido cultivada há mais de 4.000 anos. Há quem afirme que as PACOBAS dos índios brasileiros, um tipo de banana rica em amido chamada de Branca, que necessitava ser cozida antes do seu consumo já existia aqui antes de Cabral. Na verdade sabemos que a variedades de bananas que conhecemos hoje vieram com os portugueses que a trouxeram da África e ilhas portuguesas. Temos as bananas de mesa tipo maçã, ouro, prata e nanica, temos as bananas de fritar como a banana-da-terra e figo. Bananas verdes servem para farinhas e mingaus e as maduras servem pra comer pura ou em virados e pratos doces e salgados. As bananeiras ainda fornecem fibras para artesanato, tronco para jangadas, folhas para servirem nos assados e antigamente até para tratamento de feridas, esfolados e queimaduras, do coração da banana após maduro se faz com carne moída ou miúdos um refogado que se enfia no pão francês sem miolo chamado de BURACO QUENTE, típico de Mairiporã.

Bananeiras também são mágicas, há quem enfie uma faca na bananeira na noite de São João e no outro dia interpretam o desenho ou letras que nela se formam dado a nódoa da mesma. Touça de bananeiras serviam antigamente como banheiros, bem como para preservar os olhos d´água (nascentes), como marcos de divisas e até para servir de "moitel" e iniciação sexual, mas tinha-se que ter cuidado para não pegar nódoas nas roupas, podendo assim denunciar os amantes; haja buracos nas pobres bananeiras! Outra curiosidade é banana que nasce gêmea (grudada uma na outra numa mesma casca), chamada de INCONHA as quais não se deve comer juntas, tem que separar e dar para outra pessoa, em especial as mulheres não podem comer inconha para evitar que tenham filhos gêmeos ou que nasçam grudados. Dado a bananeira dar um cacho e ter que ser cortada para brotar e dar outro cacho novamente, diz o dito popular que quando algo já não tem mais valor que é: BANANEIRA QUE JÁ DEU CACHO.

Pesa dúvida se banana evita cãibras ou que é o prato predileto dos macacos. Sendo ela tropical, há quem afirme que a fruta do paraíso que a Eva caiu de boca foi uma BANANA, afinal tava todo mundo nu, tinha cobra, folhagens e árvores, só poderia ser um clima tropical no Paraíso, portanto lá não nasceria maçãs e sim bananas e abacaxis, como era uma árvore do conhecimento, só poderia ter descascado a banana e descoberto o mundo, talvez a queda do paraíso foi um escorregão NUMA CASCA DE BANANA.

Espero ter DESEMBANANADO um pouco nossos leitores, com tantas BANANAS por ai. Melhor comer um bom bolo de banana com canela, ou bolinho de chuva com banana ou uma boa BANANADA de quilo ou mesmo umas BANANINHAS de alguns mercados, pago a dinheiro hein!

Mas vamos parar por aqui, estamos na época de natal e daqui a pouco vira o NATAL DAS BANANAS, só sei que, se passar algum caminhão de frutas com seu pregão a gritar BANANAS, BANANAS, BANANAS, PINTADINHAS BANANAS, muita gente vai ficar arrepiada. ETÁ BANANADA!

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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