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Dia 15 - Professor nota Dez | Estância Turística de Joanópolis - SP

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Dia 15 - Professor nota Dez
Lazer & Cultura
Enviado por Valter Cassalho   
Qua, 14 de Outubro de 2009 23:20

ESCOLA1930Neste dia 22 de outubro a tradicional Escola Cel João Ernesto Figueiredo de nossa cidade, estará comemorando seus 95 anos de fundação, possuía o nome de Grupo Escolar Curralinhense e foi inaugurada graças aos esforços de seu patrono o Coronel João Ernesto Figueiredo, situava-se na Avenida Barão do Rio Branco (hoje Av. Waldomiro Villaça).

Graças a este prédio a situação do ensino no município melhorou, além de salas adequadas e a nova organização educacional, foi criado mais tarde o quarto ano, que terminava o primeiro ciclo de ensino. Muitos pais enviavam os filhos para estudar na cidade (fazer o quarto ano) e concluir o curso. Para facilitar o ensino aos que trabalhavam chegou mesmo a funcionar uma classe noturna através do professor Saul Guaseli Dias. O mesmo prédio foi reformado totalmente no ano de 1958 e mais tarde graças aos esforços do padre Eanes Cotias e outros foi instalado com grande pompa o Curso Ginasial Noturno no ano de 1969 e o Segundo Grau alguns anos mais tarde.

Apesar do prestigio que os professores possuíam, sofreram muito para o exercício desta sagrada profissão. Em Joanópolis, a primeira cadeira de letras foi criada em 1833, o que comprova que o bairro de Curralinho já era bem populoso, as outras cadeiras foram sendo criadas de acordo com as necessidades, tais como a do bairro dos Pretos em 1893 e a do Bairro da Moenda em 1901, todas exclusivas para o sexo masculino. A primeira cadeira do sexo feminino foi criada em 1895, porém até o ano de 1907 continuou vaga; isto levou a professora Bruna Caparica Filha a organizar a primeira escola particular do município em caráter misto, uma grande inovação para a época! Algumas fazendas mais abastadas contratavam professores particulares para educarem seus filhos e por vezes permitiam que este ensino fosse aproveitado pelos filhos dos colonos, como é o caso do fazendeiro Cândido Mathias Franco do bairro da Moenda ou de Felisbino de Souza Bueno que contratou o professor Elócio para sua fazenda no bairro dos Pires. Muitos professores tornaram-se célebres no município, como é o caso do ilustrado Professor João Candelária Sobrinho, a primeira professora Bruna Caparica Filha e a inesquecível Adília Ferreira de Almeida.

O exercício desta profissão era penoso. Os professores que assumiam as cadeiras rurais, dirigiam-se as suas respectivas escolas a cavalo, por vezes horas de cavalgada, carregados de materiais, arriscando as fortes chuvas do nosso verão e sofrendo no cortante frio do inverno. Alguns, em escolas mais distantes, como a do Bonfim, ficavam alojados nas grandes fazendas.

Nos idos dos anos 30 e 40 as escolas proliferaram e as mulheres professoras também, as quais passaram a chegar ao trabalho de charretes tendo até alguns condutores mirins especializados em levar a professora, porém, existiam as mais audaciosas que munidas com sião cavalgavam até referidas escolas. Muitas levantam-se antes do sol nascer, cobertas com longas capas a prova d´agua iam solitárias pelas estradas, as quais muitas das vezes eram precárias trilhas que se complicavam em dias contínuos de chuva.

Com o advento do automóvel a situação melhorou um pouco para as mais abastadas e depois com os leiteiros (linhas de leite) muitas tornaram-se caronistas dos mesmos, varando o município nas primeiras horas da manhã e voltando a pé na esperança de alguma carona.

Além disso as aulas eram ministradas numa mesma classe para três turmas diferentes, numa minúscula lousa dividida em três partes, as professoras rurais se desdobravam em poucas horas, além é claro de ter que fazer as vezes de agentes de saúde, ensinando noções de higiene e asseio pessoal. A tarefa de educadora era um verdadeiro sacerdócio, porém possuíam um reconhecimento social, salários melhores do que atualidade e além de muito carinho recebiam muito respeito principalmente por parte dos alunos.

Neste dia dos professores, comemorado dia 15, fica a homenagem a estes professores que lutaram muito para ministrar o ensino básico, que nem frio, chuva, vento, barro e distâncias puderam abalar a têmpera com que foram formados, aos dedicados professores desse nosso imenso País, nós hoje damos nota dez!

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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