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O PESQUISADOR EM CAMPO
Lazer & Cultura
Enviado por Valter Cassalho   
Seg, 16 de Maio de 2011 21:21
Ao estudar a cultura de uma comunidade, ao estudar com seriedade esse assunto, cabe ao pesquisador ter sempre em mente que o objetivo único é o conhecimento. Conhecimento do homem e seus costumes.

É necessário, antes de tudo, libertar-se de quaisquer idéias preconcebidas, de quaisquer preconceitos, não se deixar envolver emocionalmente e passar a examinar cada aspecto cultural encontrado como ele se apresente e, ainda, como se nunca tivesse antes conjeturado a seu respeito. Não importam as razões religiosas, éticas, estéticas ou quaisquer outras. Cada sociedade vivencia sua própria cultura e não compete ao pesquisador julgar ou criticar. Muito menos, omitir ou modificar (na conclusão do estudo ou prática) o que o chocou ou está em desacordo com sua própria moral. Está claro que não se pode intervir, pois interferência descaracteriza. É crime imperdoável. Que ninguém, pois se arvore em palmatória do mundo, visto que em se tratando de expressões culturais, expontânea ou não, não há o certo ou errado. Como reza o ditado: "Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso".

È sabido que não se pode avaliar os usos e costumes de determinado grupo social tomando-se como medida de comparação os valores da sociedade onde se vive.

Também pode acontecer do pesquisador sentir-se tentado a usar seu trabalho com a finalidade de exaltar o que acha melhor e mais bonito ou exótico na sua terra natal, deixando de registrar aspectos importantes (para o conhecimento) por não considerá-los lisonjeiros aos seus conterrâneos. Quem assim proceder não será, na verdade, um pesquisador respeitável. Talvez um repórter de amenidades ou um profissional contratado para o fim específico de divulgação de uma cidade.

O conhecimento do homem e seus costumes adquirido através de métodos corretos, este sim, deverá ser divulgado como trabalho científico e servirá de subsídio aos estudos de outros cientistas sociais.

O que se torna necessário para o fiel entendimento do nosso povo - o que só se alcança investigando a cultura informal, espontânea, o folclore - é um pouco menos de imaginação e romantismo por parte do pesquisador e um pouco mais de objetividade. Mais ciência, mais documentação e menos devaneios.

Agosto, mês do Folclore Brasileiro. São Paulo - 1999
Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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