Quando criança me lembro, No Natal esperava Com grande ansiedade, Que o bom velhinho errasse E na minha janela deixasse Qualquer brinquedo que fosse; Uma bola, um trenzinho, Um cavalinho de pau, Mas o velhinho era mau E nada disso ele trouxe.
Pensava numa boneca Que mudasse sozinha o passo! Servia mesmo um palhaço Com a carinha pintada E o chocalho na mão; Mas não... Ele nunca me deixou nada.
Quando via outra menina Com um ursinho peludo De astracã ou veludo, Sentia tanta tristeza Porque, sendo eu criança, Já perdia a esperança De possuir tal beleza!
Papai Noel não trazia Presente assim tão belo, Pra quem em vez de sapato Andava só de chinelo
Pensei então num pião Que saísse da fieira Cambalhotando no chão, Como via na vizinhança Moleque cheio de poeira Fazer roncar e dormir Na palma suja da mão! Mas não...
Ora se ainda me lembro: Foi pelo mês de setembro, Subindo a minha rua Vinha um certo priminho Ainda muito mocinho Falar-me coisas da lua!
Nunca mais eu pensei Em trenzinho e boneca, No pião, na peteca, No cavalinho de pau; O velho não era mau, Queria me ver contente, Guardou o melhor presente Pra quando eu crescesse mais!
Aproveitando esta data Que homenageia os pais, Eu digo a vocês, meus filhos: Não poderia, sozinha, Guardar tamanho tesouro Que fosse somente meu: Eu dou também a vocês! È seu, seu e seu.
(obs- do livro Caminhos - a autora reside em São Paulo . Jandyra Barreto dedicou estes versos ao seu marido o qual também é seu primo, apesar de ser dedicada ao dia dos pais, durante o natal ela também se torna muito interessante). |