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A Violência Cotidiana
Saúde
Enviado por Cleber Torres de Oliveira   
Qua, 14 de Outubro de 2009 23:14

A violência tem se tornado cada vez mais tema de interesse para pesquisadores das áreas da saúde e das ciências sociais, e até mesmo de ciências como a arqueologia, ja que constatou-se indícios de acotecimentos que confirmam a ocorrência de episódios de agressão física desde a época dos australopitecos.¹

Ao que parece a humanidade praticamente nunca viveu um período onde não estivesse havendo guerras ou conflitos em algum lugar. A violência porém, não está compreendida apenas nos atos de agressão física e crueldade praticados em conflitos ou guerras, a violência sob muitos aspectos está inserida em nosso cotidiano de maneira explicita ou disfarçada de muitas formas (agressão física, verbal, moral e quaisquer outros comportamentos que tragam prejuízo intencional a outras pessoas). Poderíamos tentar explicar os motivos ou algo que justifique sua existência, mas a violência praticada sempre encontra uma justificativa ou motivo, seja pela luta pela sobrevivência, religião, defender causas ou ideologias, para obter poder ou dinheiro, etc. A violência está impregnada na nossa história e em nosso cotidiano.

E para falar sobre violência sob um aspecto psicológico não poderíamos deixar de citar um fator presente na maioria dos atos violentos, a agressividade. Podemos afirmar inicialmente apesar de estranho, que todo ser humano é agressivo, se entendermos que a agressividade faz parte dos nossos instintos mais elementares de sobrevivência, encontrados também no reino animal, porém, o ser humano não reconhece apenas os riscos a sua integridade física como sendo ameaças a sua sobrevivência, reconhece também os riscos contra a sua integridade moral, ou contra sua integridade psicológica, ou seja, ameaças a sua sobrevivência como ser social.

Então poderíamos perguntar se todo ser humano é agressivo, porque nem todos praticam a violência?

Segundo alguns autores ², a agressividade pode ser canalizada para produções socialmente construtivas, como se essa energia encontrasse canais, formas de expressar-se dentro dos limites das leis, das regras. Esses autores ainda nos fornecem um modelo de como a agressividade evolui para delinqüência e criminalidade, sendo necessário distinguir três conceitos ligados a essa questão: transgressão, infração e delinqüência.

O transgressor. Se considerarmos que o ser humano vive em grupos sociais, sendo que quando nascem dependendo da localidade, da família ou cultura, serão inseridos num grupo de pessoas que convivem com determinadas regras e leis. Irão, portanto, incorporar primeiramente as regras que envolvem as relações das pessoas que lhe cuidam, como por exemplo, a maneira como comunicam se, seus costumes, e demais outras normas que regulam as relações entre essas pessoas. O transgressor é aquele que transgride normas ou regras, sejam essas explicitas como, por exemplo, horários de refeição, sono, ir para aula, ou regras implícitas como, por exemplo, a de não se falar palavrões. Aquele que transgride essas regras, estará sujeito as conseqüências, dependendo do grupo ao qual está inserido, porém, vez ou outra todos nós somos transgressores.

O infrator. Todas as sociedades são regidas por leis, o infrator é aquele que cometeu um ato que vai contra alguma lei tipificada no código penal ou no sistema de leis da sociedade em que vive, portanto, sujeito a uma penalidade corresponde. Podemos dizer desta forma que todos nós somos em algum momento da vida infratores, pois o fato de não atravessarmos a rua numa faixa de pedestre, por exemplo, corresponde a uma infração definida por uma lei específica, isso significa que nem sempre o indivíduo que comete uma infração é um criminoso.

O delinqüente. O delinqüente é aquele que não incorporou regras ou leis, ou as incorporou de uma forma distorcida de modo que passou a praticar diversos crimes, assumindo assim uma identidade criminosa. Acontece que uma pessoa dificilmente se torna um delinqüente se antes não foi um transgressor, ou infrator, o que indica haver um uso patológico da agressividade. A quantidade e/ou qualidade de eventos de vida negativos provenientes da família vêm sendo apontadas como particularmente prejudiciais ao desenvolvimento da criança e como um dos fatores que contribui para potencialização dos casos de delinquência³.

A agressividade patológica aparece em alguns transtornos mentais, tais como: o distúrbio anti-social, transtorno desafiador opositivo, transtorno de conduta, além de outros cuja a agressividade também aparece como característica, e têm sido alvo de estudos epidemiológicos em todo mundo.

A violência tornou-se tão previsível e constante no cotidiano que deixamos de vê-la como um evento extraordinário. Influenciados por sua presença difusa, progressivamente temos sido levados a incorporar a violência como um elemento inerente à atualidade4. Mas pensar em meios de controle e diminuição dos índices de violência parece estar sendo uma preocupação igualmente difusa, pois a preocupação com a segurança aparece entre os quesitos mais importantes para a qualidade de vida hoje em dia.

Como o tema é muito amplo e existe uma vasta bibliografia no que se refere ao estudo e pesquisa sobre os vários aspectos da violência, esta foi abordada apenas superficialmente de forma a destacar o papel da agressividade no comportamento humano, e na violência. O que se conclui é que pessoas agressivas nem sempre são violentas, pois a agressividade serve como um impulso que pode ser direcionado a vários objetivos, mas a violência esta estreitamente ligada ao que se considera agressividade patológica.

Bibliografia

1- Hist. cienc. saude-Manguinhos?vol.11?no.2?Rio de Janeiro?May/Aug.?2004
Arqueologia da agressividade humana: a violência sob uma perspectiva paleoepidemiológica
2 - Psicologias - Uma Introdução ao Estudo de Psicologia / Ana M. Bock; Odair Furtado; Maria de Lourdes T. Teixeira - Editora Saraiva, 1995.;

3 - Ciênc. saúde coletiva?vol.14?no.2?Rio de Janeiro?Mar./Apr.?2009
Violência familiar e comportamento agressivo e transgressor na infância: uma revisão da literatura

4 - Ciênc. saúde coletiva?vol.14?no.2?Rio de Janeiro?Mar./Apr.?2009
Uma reflexão acerca da prevenção da violência a partir de um estudo sobre a agressividade humana

5 - Agressão, Violência e Crueldade / José Ângelo Gaiarsa. - São Paulo: Editora Gente, 1993.

 
Cleber Torres de Oliveira
Cleber Torres de Oliveira, Psicoterapeuta, atua na área de Treinamentos da RAS, ajudou a desenvolver o site www.comportal.com.br, e também é músico de fim de semana.

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