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09-Jan-2009
Terremoto abalou Piracaia e Joanópolis
Escrito por Renata Cristiane Badari   
28-Mar-2005
De acordo com relatos colhidos com os mais antigos, durante a madrugada de 27 de janeiro as pessoas estavam dormindo e sentiram uma espécie de ronco e um tremor leve que chegou a sacudir as camas acordando a todos. Na cidade de Joanópolis, dona Zenaide Figueiredo relatava que era menina quando isso ocorreu, e todos saíram à praça de Joanópolis e nas portas das casas, com roupas de dormir cobertos com casacos e até cobertores,  portanto lampiões e assustados tentaram entender o que estava acontecendo, bem como temendo que novo tremor se repetisse. O sr. Irineu lembra-se do fato e que no outro dia percorreu com seu pai Felisbino de Souza Bueno as linhas telefônicas para averiguar possíveis danos causados nas mesmas. 

O jornal O PIRACAIENSE (Biblioteca Municipal de Piracaia), de 29 de janeiro de 1922 em sua primeira página, traz:  “Terremoto – Verificou-se nesta, na madrugada de 27 do corrente, forte tremor de terra que durou aproximadamente 6 segundos. Felizmente não houve prejuízo algum, somente a população é que ficou sobressaltada, sahindo nervosa para as ruas”.

O jornal O ATIBAIENSE  (Museu Municipal de Atibaia) de 29 de janeiro de 1922 relata o seguinte: “Tremor de Terra – Ante-hontem (27 de janeiro de 1922), às 03 e 55 horas da manhã a população desta cidade foi despertada bruscamente com um tremor de terras, felizmente não foi de conseqüências funestas. Todos os jornaes de São Paulo dão notícias circunstanciadas desse phenômeno que attingiu extensa zona dos Estados de São Paulo, Minas e Rio. A população desta cidade levantou-se quase toda, sahindo as ruas, receando a repetição do phenômeno”. 

O jornal A CIDADE  (Museu Municipal de Atibaia) de 28 de janeiro do mesmo ano informa: “Movimento Sísmico – Nesta cidade, na capital, no Rio de Janeiro e em muitas localidades do interior do estado, foi sentido um tremor de terras bem accentuado. Hontém, as 4 horas da manhã, a população desta cidade e município foi alarmada com um tremor de terra, que durou, felizmente, alguns segundos. Durante o dia e mesmo parte da noite não se falava em outra coisa, sendo o phenômeno assumpto de toda a população, que seriamente impressionada, temia que o mesmo hoje se reproduzisse as mesmas horas. Segundo lemos em nosso collega da capital, o Diário Popular, alli também deu-se o mesmo phenômeno, bem assim em alguns arrebaldes da capital da República e entre outras, nas seguintes cidades do interior: Jundiahy, Santa Rita do Passo Quatro, Ytu, Itapetininga, São Carlos do Pinhal, Cubatão, Espírito Santo do Pinhal, Campinas, Bragança, Piracaia, Perdões, Joanópolis, Campo Limpo, Mogi Mirim e Casa Branca. Pelas informações do sr. Director do Observatório Meteorológico da Capital, o phenomeno parece ter provido da zona de Poços de Caldas, em cujo subsolo existem grandes camadas de saes. Com as últimas grandes chuvas houve dissolução desses saes, infiltrando-se o liquido no solo e formando-se, em conseqüência disso, um grande vasio. Isto produziu um formidável desmoronamento interno, que repercutiu pela superfície, em um raio muito extenso”.

Foi um pequeno abalo, que realmente não teve conseqüências tão graves, talvez bem menor que o terremoto cultural produzido pela Semana de Arte Moderna ocorrida no mesmo ano, que sacudiu a cultura brasileira.

(autor Valter Cassalho)

 
Estância Turística de Joanópolis