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ESTE ANO É BISSEXTO
Lazer & Cultura
Enviado por Valter Cassalho   
Qui, 09 de Fevereiro de 2012 22:45
Neste ano teremos fevereiro com 29 dias, ou seja, estamos num ano bissexto, dentro do nosso folclore um ano não muito bom para casamentos e tido ainda por alguns como de mau agouro.

Para entender como surgiu o ano bissexto, precisamos entender o calendário adotado pela nossa cultura, pois os calendários são culturais. Alguns povos seguem a divisão do ano através da lua e outros seguem através do sol e a seqüência de anos é determinada de acordo com grandes acontecimentos, como o Nascimento de Cristo para o mundo cristão ocidental que marca o ano um, ou a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622 d.C.; que dá inicio ao ano um para o povo muçulmano.

Os calendários nasceram com o inicio das atividades agrícolas, onde havia a necessidade de se prever as estações do ano e os melhores períodos para o plantio. O homem passou a observar o céu e pôde perceber a regularidade da posição e transcursos dos astros e outros corpos celestes, principalmente a lua, com uma contagem de tempo entre duas luas novas com um período de vinte e nove dias e meio, estabelecendo assim nossa primeira noção de mês.

A variação da altura do sol no horizonte, permitiu uma nova descoberta: os equinócios (a época em que o sol passava pelo equador), esta periodicidade foi calculada em 365 dias, aproximadamente doze vezes a duração do mês lunar. Este calculo levaria mais tarde a divisão do ano em doze meses, totalizando 365 dias. Como esta conta não era exata, cada povo da Antigüidade tentou solucionar o problema ao seu modo. Os egípcios criaram doze meses com trinta dias (12x30=360) acrescendo cinco dias extras no final de cada ano; os babilônios e gregos acrescentaram a cada período de 19 anos um décimo terceiro mês.

O nosso calendário atual é o gregoriano, surgiu em substituição ao calendário Juliano que foi criado pelo astrônomo Sosígenes de Alexandria a pedido do imperador Júlio César no ano 46 a.C, no qual três anos tinham 365 dias e o quarto ano tinha 366 dias. No entanto, a duração exata do ano é de 365,242199 dias ou 365 dias + 5 horas + 48 minutos + 47 segundos, que é o tempo para que a Terra dê uma volta completa ao redor do Sol. Por causa da falta de precisão nas observações os antigos arredondavam para 365 dias + 6 horas. Estas seis horas somadas ao longo de quatro anos dão uma diferença de um dia inteiro, porém as sobras que se acumularam no decorrer dos séculos levaram a necessidade de uma nova correção em 1582. O Papa Gregório XIII, mandou suprimir dez dias do ano de 1582 e os anos que eram finais de século passaram a serem contados como anos bissextos somente quando divisíveis por quatrocentos. Assim todo ano múltiplo de 4 passou a ser bissexto, exceto os que também forem múltiplos de 100. No entanto, aqueles que forem múltiplos de 400 passam a bissextos. Desta forma, o ano 2000 foi bissexto, porque era múltiplo de 400, mas o ano 1900 não foi e o ano 2100 também não será bissexto pois são múltiplos de 100 apenas. Esta foi a solução encontrada para corrigir automaticamente o calendário fazendo com que as estações iniciem-se em seus verdadeiros dias, ou seja, de acordo com o trânsito do sol em seus equinócios.

Mas de onde vêm esta palavra bissexto? - Na época em que Júlio César encomendou a reforma do calendário ao astrônomo grego Sosígenes, os meses eram divididos em três partes: calendas, nonas e idos. O primeiro dia de um mês era chamado "kalendae" (que deu origem ao termo calendário), e os demais eram contados de trás para frente e de forma muito confusa. O último dia de fevereiro era chamado de o segundo dia a porvir das calendas de março. Na criação do calendário juliano ao incorporar um dia ao mês de fevereiro, Júlio César não criou um novo dia como dia 29, ele repetiu um dia no mês com o mesmo nome ou seja, o VI antediem calendas martil (sexto dia antes das calendas de março), este dia repetido na língua latina era o "bis (duas) VI antediem calendas martil" ou, simplesmente, "bissextum". O nome foi mantido nos futuros calendários e até hoje utilizamos o nome bissexto.

 
Valter Cassalho
Professor e historiador da cidade de Joanópolis, jornalista, folclorista e membro da Comissão Paulista de Folclore (Ibecc/Unesco) e Associação Brasileira de Folclore. Atual presidente da Associação dos Criadores de Lobisomens.

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